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Muhammad Yunus tomou posse como líder do governo interino do Bangladesh

Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz, tomou ontem posse como líder do governo interino do Bangladesh em Daca, quatro dias depois da demissão e partida para a Índia da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina.

O economista de 84 anos foi empossado numa cerimónia conduzida pelo Presidente do Bangladesh, Mohammed Shahabuddin.”Defenderei, apoiarei e protegerei a Constituição”, declarou Yunus durante a cerimónia de tomada de posse, acrescentando que cumprirá as suas funções “com sinceridade”, segundo a agência noticiosa France Presse.

Yunus vai governar o país que atravessa uma profunda crise económica e social, agravada após os protestos que começaram a 01 de julho, nos quais morreram mais de 400 pessoas, e que depuseram Hasina do poder.

O novo governo temporário será composto por cerca de 15 membros e terá como uma das principais prioridades o restabelecimento da normalidade no Bangladesh, após o caos desencadeado pelos protestos estudantis e a violência com que foram reprimidos pelas autoridades.

Yunus, conhecido como o “banqueiro dos pobres”, foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2006 por ter fundado e concebido o Banco Grameen para combater a pobreza no Bangladesh, desenvolvendo o conceito de microcrédito, que concede empréstimos a pessoas pobres que normalmente seriam rejeitadas pelo sistema financeiro.

O economista de profissão tem mantido uma relação tensa com as autoridades desde que Hasina chegou ao poder em 2009. Se a inimizade com Hasina levou Yunus a enfrentar dezenas de processos em tribunal, a queda da antiga primeira-ministra, após semanas de manifestações que fizeram mais de 400 mortos, catapultou o prémio Nobel para a linha da frente política.

O Bangladesh vive agora o quarto dia de vazio de poder, após a demissão de Hasina e a sua saída do país, sob a pressão dos protestos estudantis que começaram pacificamente a 01 de julho, mas que se tornaram violentos e acabaram por exigir a demissão de Hasina após a brutal repressão das manifestações.

Plataforma com Lusa

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