Bashar al-Assad governou a Síria durante 24 anos, sucedendo ao pai, Hafez al-Assad, que tinha liderado o país durante quase três décadas. O regime acabou por cair em dezembro de 2024, após uma ofensiva relâmpago de grupos rebeldes que tomou Damasco e obrigou o presidente a fugir para a Rússia.
De médico a sucessor do pai
Bashar al-Assad nasceu em Damasco, em 1965, e formou-se em Medicina. Inicialmente, não estava destinado a suceder ao pai. O herdeiro da família era o irmão mais velho, Bassel al-Assad, preparado para assumir o poder.
A morte de Bassel, num acidente de automóvel em 1994, alterou os planos da família. Bashar regressou então à Síria e começou a preparar-se para assumir a liderança do regime.
Quando Hafez al-Assad morreu, em junho de 2000, Bashar tinha 34 anos. Uma alteração constitucional reduziu a idade mínima para a presidência e permitiu a sua eleição pouco depois.
A promessa de uma Síria mais aberta
A chegada de Bashar ao poder alimentou inicialmente expectativas de mudança. O novo presidente apresentava uma imagem diferente da do pai e prometia modernizar o país.
Essa abertura, conhecida como “Primavera de Damasco”, acabou por ser limitada. O aparelho de segurança manteve um papel central e as estruturas autoritárias do regime permaneceram praticamente intactas.
Durante os primeiros anos, Assad consolidou o poder e manteve a aliança estratégica da Síria com o Irão, ao mesmo tempo que procurava preservar a influência de Damasco no Médio Oriente.
A revolta de 2011 que desencadeou a guerra
O momento decisivo da presidência de Assad chegou em 2011, com a chamada Primavera Árabe. Protestos contra o regime começaram em março desse ano, incluindo na cidade de Deraa.
A repressão das manifestações transformou rapidamente os protestos numa revolta nacional. A resposta militar do Governo contribuiu para a transformação do conflito numa guerra civil que envolveria forças rebeldes, grupos jihadistas e diferentes potências estrangeiras.
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Ao longo dos anos seguintes, a Síria tornou-se palco de um dos conflitos mais complexos do século XXI. A Rússia e o Irão apoiaram Assad, enquanto diferentes grupos opositores receberam apoio externo. O Estado Islâmico também conquistou vastos territórios antes de ser derrotado territorialmente.
Uma guerra com centenas de milhares de mortos
A guerra provocou uma enorme crise humanitária. Mais de meio milhão de pessoas morreram e milhões foram obrigadas a abandonar as suas casas. Organizações internacionais documentaram ainda detenções arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e ataques contra civis atribuídos às forças do regime.
Apesar das derrotas e da perda de grande parte do território durante a guerra, Assad conseguiu manter-se no poder. O apoio militar de Moscovo e Teerão foi determinante para a sobrevivência do regime.
Nos anos que antecederam a queda, Assad recuperou também alguma legitimidade diplomática na região. A Síria voltou a aproximar-se de vários países árabes e chegou a ser reintegrada na Liga Árabe.
A queda surpreendentemente rápida
A estrutura que parecia ter sobrevivido à guerra acabou por ruir em poucos dias. Em 27 de novembro de 2024, uma coligação de grupos rebeldes liderada pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) lançou uma ofensiva a partir do noroeste da Síria.
Os rebeldes conquistaram rapidamente Alepo, Hama e Homs e avançaram sobre Damasco. A capital caiu a 8 de dezembro, encerrando mais de cinco décadas de domínio da família Assad e 24 anos de presidência de Bashar.
Assad fugiu para a Rússia
Com a aproximação das forças rebeldes à capital, Bashar al-Assad abandonou a Síria. A Rússia confirmou posteriormente que o antigo presidente tinha recebido asilo no país.
A fuga marcou o fim do regime que a família Assad tinha construído desde 1971, quando Hafez al-Assad chegou ao poder. No total, a família governou a Síria durante mais de cinco décadas.
Em agosto de 2026, a justiça síria deu um novo passo no processo de responsabilização do antigo regime: Bashar al-Assad foi condenado à morte à revelia por crimes cometidos durante a guerra civil, incluindo homicídio, tortura e crimes contra a humanidade. A sentença foi igualmente aplicada ao seu irmão Maher al-Assad.