Os futebolistas profissionais tornaram-se alvos particularmente atrativos para grupos especializados em furtos a residências. O elevado valor dos bens que podem guardar em casa, aliado à exposição pública das suas rotinas, permite aos criminosos selecionar potenciais vítimas e perceber quando as habitações estão vazias.
O fenómeno voltou a ganhar atenção com a tentativa de assalto à casa de Lamine Yamal, em Barcelona, em julho. Dois homens encapuzados foram detetados a tentar ultrapassar o muro da propriedade enquanto o jogador se encontrava nos Estados Unidos a disputar o Mundial com a seleção espanhola. A segurança privada identificou os suspeitos através das câmaras e estes acabaram por fugir.
Redes sociais deixam pistas
Uma das principais fontes de informação utilizada pelos assaltantes pode ser a própria exposição dos jogadores nas redes sociais. Fotografias de casas, relógios, joias, automóveis ou viagens permitem construir, ao longo do tempo, um perfil da vítima.
No caso de Yamal, por exemplo, o jogador tinha mostrado publicamente a nova residência pouco antes de viajar para o Mundial. A propriedade tinha pertencido anteriormente a Gerard Piqué e Shakira.
Especialistas em segurança alertam ainda para o risco das publicações em tempo real. Uma fotografia de férias ou uma publicação feita durante um jogo pode revelar simultaneamente que o jogador está longe de casa e durante quanto tempo poderá permanecer ausente.
O calendário dos jogos é outra pista
Os horários das partidas constituem outro elemento importante. Nos Estados Unidos, autoridades e organizações desportivas já identificaram grupos que acompanham os calendários dos jogadores e aproveitam os períodos em que estes estão concentrados ou a disputar jogos.
Um alerta emitido pela segurança da NFL, nos Estados Unidos, descreveu um método semelhante: criminosos pesquisavam endereços através de informação pública, acompanhavam os calendários das equipas e monitorizavam as redes sociais dos jogadores e das famílias para determinar quando as casas estavam vazias.
Na Europa, a expressão inglesa “away day gangs” tem sido utilizada para descrever grupos que escolhem precisamente os momentos em que os futebolistas estão fora de casa por motivos profissionais. O fenómeno já atingiu jogadores como Rúben Dias, Jack Grealish, Raheem Sterling e Riyad Mahrez.
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Suspeitas sobre informação privilegiada
A seleção das vítimas poderá, em alguns casos, ir além da informação disponível publicamente. Jogadores da Premier League chegaram a manifestar preocupação com a possibilidade de existirem pessoas próximas dos atletas a transmitir informações aos assaltantes.
O caso de Rúben Dias foi associado, pela imprensa desportiva britânica e portuguesa, a suspeitas de que informação sobre a ausência do jogador e da família tenha chegado às mãos dos criminosos. Não significa, contudo, que essa hipótese esteja comprovada em cada caso.
A combinação de dados públicos e eventuais informações obtidas através de terceiros pode tornar a escolha das vítimas mais precisa.
Por que razão os futebolistas são tão procurados?
A lógica é relativamente simples: os jogadores de topo têm rendimentos elevados e são conhecidos por possuir relógios, joias, dinheiro, equipamentos eletrónicos e outros bens de elevado valor.
Os criminosos procuram ainda reduzir o risco de confronto. Segundo informações citadas pela segurança da NFL, alguns grupos evitam deliberadamente entrar nas casas quando os proprietários estão presentes e esperam por períodos em que sabem que os atletas estão a jogar ou viajar.
Em Portugal, também já foram registados casos de jogadores vítimas de assaltos às suas residências. Em maio, o futebolista do FC Porto Jan Bednarek e a família foram surpreendidos por um assaltante dentro de casa, num caso em que foram levados bens avaliados em cerca de 150 mil euros, segundo o Record.
O padrão mostra, assim, que o alvo não é escolhido apenas pelo nome do jogador. É a combinação entre património presumido, localização da residência, rotina profissional, exposição nas redes sociais e previsibilidade dos períodos de ausência que pode tornar determinado futebolista mais vulnerável.