Um grupo criminoso de origem colombiana, radicado em Espanha, está a ser investigado pela PSP por suspeitas de ter especializado a sua atividade no assalto a residências de futebolistas de alto nível em vários países europeus, incluindo Portugal. O caso ganhou novo impulso após o roubo à casa do jogador do FC Porto Deniz Gül, em Vila Nova de Gaia.
Segundo informações divulgadas pelo Jornal de Notícias, as autoridades suspeitam que a organização tenha atuado nos últimos anos contra jogadores de clubes de Portugal, Espanha, França e Itália. A investigação procura determinar a extensão da rede e a eventual ligação entre diferentes assaltos.
Deniz Gül foi o alvo mais recente
A residência de Deniz Gül foi assaltada no domingo. Os suspeitos terão levado relógios e joias avaliados em mais de 250 mil euros. O roubo foi descoberto por vizinhos, que alertaram as autoridades depois de verificarem sinais de arrombamento.
As autoridades suspeitam que o mesmo grupo possa estar relacionado com o assalto à casa de Jan Bednarek, também jogador do FC Porto, ocorrido em maio.
Nesse caso, o futebolista regressou inesperadamente a casa e encontrou vários homens no interior. Bednarek terá sido ameaçado com uma faca antes de os assaltantes fugirem com relógios e joias avaliados em cerca de 150 mil euros.
Jogadores são vigiados antes dos assaltos
A investigação aponta para um método organizado e baseado na vigilância dos alvos. Os suspeitos procuram conhecer os horários dos jogadores e das suas famílias e acompanham os seus movimentos antes de avançarem para o assalto.
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A PSP admite que a organização possa recorrer a pessoas com contactos junto dos atletas para obter informação privilegiada sobre os seus hábitos e períodos de ausência.
Num dos casos investigados, os assaltantes terão utilizado uma situação aparentemente banal para confirmar se havia alguém em casa. Uma bola terá sido lançada para o interior da propriedade de Bednarek, permitindo aos suspeitos tocar à campainha e verificar se alguém respondia.
A estratégia passa, segundo as informações recolhidas pelas autoridades, por atacar as habitações quando os jogadores estão ausentes, nomeadamente durante jogos ou estágios.
Regresso a Espanha após os roubos
Depois dos assaltos, os suspeitos terão regressado a Espanha no próprio dia, onde as autoridades acreditam que os objetos roubados são colocados no mercado negro.
A PSP está a desenvolver a investigação em articulação com autoridades policiais de outros países, incluindo Espanha e Itália, com o objetivo de identificar os restantes elementos e perceber a dimensão da organização criminosa. Em Portugal, o caso está a ser acompanhado por uma equipa especializada da Divisão de Investigação Criminal do Porto.
O caso surge depois de outras operações envolvendo grupos de origem colombiana que entraram em Portugal a partir de Espanha para cometer furtos. Em outubro de 2025, a PSP deteve sete cidadãos colombianos suspeitos de integrarem uma célula criminosa responsável por assaltos a residências em vários pontos do país.