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Isabel dos Santos: a princesa descalça

Para uns, muito poucos, não passa de uma pedra minúscula, brilhante é certo, mas com a mesma composição química da grafite usada nos lápis com que escrevemos; para outros, quase todos, é um tesouro incalculável, com quase sete centímetros de comprimento, o tamanho de um cartão de crédito, e uma classificação Tipo IIa, a segunda mais elevada de todas, à qual pertencem não mais do que 1 a 2% de todos os diamantes do mundo, os mais puros e imaculados, compostos por redes rígidas de carbono, com poucos ou nenhuns átomos de nitrogénio. Vivia nas entranhas do planeta, a uma profundidade de 150 a 200 quilómetros do manto superior, foi trazido à superfície por um kimberlito, que até nós transportou o maior diamante alguma vez descoberto em Angola (e o 27º. no mundo), com uns assombrosos 404.2 quilates.

Em 14 de Novembro de 2017, um ano e meio depois de ter sido encontrado na Mina de Lulo, nordeste de Angola, o 404, como passou a ser chamado, foi leiloado pela Christie’s, em Genebra, e arrematado por um comprador anónimo pela astronómica quantia de 33,5 milhões de dólares, um recorde mundial para a venda de pedras preciosas em leilão. Depois de ter sido descoberto no Lulo por uma empresa australiana, o 404 viajou até Nova Iorque, onde foi analisado pelos peritos do Gemological Institute of America, que concluíram, lapidarmente, que “a sua extrema raridade não pode ser sobrestimada”. Daí, avançou uns metros até ao Diamond District, entre a 5.ª e a 7.ª Avenidas, onde, na sede do Julius Klein Group, um grupo de 10 especialistas cortou e lapidou o maior diamante que alguma vez lhe tinha passado pelas mãos.

Durante várias semanas, o perito em diamantes Isaac Barhorin limitou-se a olhar para ele, a observá-lo de todos os ângulos, ao infinitésimo de milímetro, para marcar os pontos e as linhas por onde deveria ser cortado. A seguir, em 29 de Junho de 2016, após meses de análises e de testes, um octogenário venerando, Ben Green, considerado o melhor cortador de diamantes do mundo, dividiu o 404 em dois. Seguiram-se semanas de aperfeiçoamento do corte na roda de polimento e só ao fim de seis meses se alcançou o produto final, um diamante de 163,41 quilates lapidado em forma de esmeralda.

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