Nauru muda o reconhecimento diplomático de Taiwan para a China

O Nauru, país insular do Pacífico, anunciou hoje que passou a reconhecer Pequim como o único governo legítimo de toda a China, rompendo laços com Taiwan, que tem agora apenas 12 aliados diplomáticos.

por Nelson Moura

Taiwan passa assim a ter laços oficiais com 11 países e o Vaticano. Sete estão na América Latina e nas Caraíbas, três nas ilhas do Pacífico e um em África. Taipé confirmou hoje também o corte de relações diplomáticas com a República de Nauru, depois de o Executivo do país ter anunciado o estabelecimento de relações com Pequim.

O corte das relações diplomáticas ocorre apenas dois dias depois de o candidato do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês), William Lai Ching-te, ter vencido as eleições de Taiwan com 40,05 por cento dos votos.

Em conferência de imprensa, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Tien Chung-kwang, que anunciou o corte de relações, afirmou que a China “está sempre a tentar abafar Taiwan” na cena internacional.

“Temos toda a confiança nos países com os quais mantemos boas relações. Não vamos cair na armadilha da propaganda chinesa, mas é claro que continuamos muito alarmados com a situação”, disse o responsável quando questionado se Taiwan temia um “efeito cascata” dos seus outros aliados diplomáticos.

Posteriormente, o ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan afirmou na sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter) que o corte nas relações desta vez “não é apenas uma retaliação da China” contra a eleição da ilha, “mas também um desafio direto à ordem internacional”.

“Taiwan permanece inabalável e continuará a ser uma força para o bem”, afirmou o ministério. A decisão surge depois de o Governo de Nauru, uma pequena nação insular do Pacífico Sul, ter anunciado o corte de relações diplomáticas com Taiwan e o reconhecimento da República Popular da China.

O corte das relações diplomáticas ocorre apenas dois dias depois de o candidato do Partido Democrático Progressista, William Lai Ching-te, ter vencido as eleições de Taiwan (Foto Nelson Moura)

Uma breve declaração divulgada hoje pelo Governo de Nauru sublinhou que o país reconhece o princípio ‘Uma só China’ e procura reatar relações diplomáticas plenas com Pequim. “Nauru reconhece a República Popular da China (RPC) como o único Governo legal que representa toda a China e pretende reatar relações diplomáticas plenas” com este país, sublinhou o comunicado.

A nação insular defendeu a mudança de política como um primeiro passo para “fazer avançar o desenvolvimento” da pequena república oceânica. A China manifestou também o seu “apreço” pela decisão do governo de Nauru.

“Como país soberano e independente, Nauru declarou o seu reconhecimento do princípio `Uma só China`, cortou as suas chamadas relações diplomáticas com as autoridades de Taiwan e manifestou a sua disponibilidade para retomar as relações diplomáticas com a China”, afirmou o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em comunicado.

Durante os oito anos de mandato da atual Presidente, Tsai Ing-wen, Taiwan perdeu nove aliados diplomáticos para além de Nauru: São Tomé e Príncipe (2016), Panamá (2017), República Dominicana, Burkina Faso, El Salvador (2018), Ilhas Salomão, Kiribati (2019), Nicarágua (2021) e Honduras (2023).

Taiwan mantém o reconhecimento diplomático de doze Estados, sete dos quais situados na América Latina e nas Caraíbas, como o Paraguai, a Guatemala e o Haiti; três na Oceânia, um em África e um na Europa (Cidade do Vaticano).

Plataforma com Lusa

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