No comício de abertura da campanha para as legislativas de 17 de maio, realizado no bairro de Achada Santo António, na capital, Praia, o líder do MpD pediu “mais um mandato para consolidar os ganhos conseguidos até agora, porque quem aprende a atravessar o mar bravo está mais bem preparado”.
O “mar bravo” foram dificuldades como a pandemia de covid-19, apesar das quais “Cabo Verde está melhor”, referiu, justificando-se com indicadores de crescimento económico e credibilidade internacional, com repercussão social interna.
Ulisses Correia e Silva, 63 anos, natural da Praia (ilha de Santiago), subiu ao palco pelas 22:20 (07:20 de hoje [1] em Macau) e durante cerca de uma hora fez um balanço de “um Cabo Verde positivo” que, apesar dos problemas, “está na moda” a nível internacional e que “a oposição não quer ver e cujos resultados menospreza”.
O candidato referiu que tem pela frente um adversário “que não garante estabilidade”, questionando se permite “dormir descansado com a nossa democracia”, numa alusão a Francisco Carvalho, presidente da Câmara da Praia e líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) – e que minutos antes tinha terminado o seu comício de abertura de campanha, noutro ponto da cidade.
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“Uma coisa que nós não prometemos é que o ensino superior seja de graça: o nosso compromisso é aumentarmos as bolsas de estudo e a sua quantidade, porque queremos ter mais jovens com ensino superior” a par da construção de residências universitárias, disse, reagindo a uma das promessas do candidato da oposição.
As dificuldades nos transportes interilhas têm sido outro tema de debate, com o líder do PAICV a prometer ligações de barco a 500 escudos (4,5 euros) e de avião a 5.000 escudos (45 euros), mas o MpD questiona a proposta.
“Querem preços que põem a companhia no chão e que não viabilizam transportes”, perguntou, durante o comício, deixando a resposta: “nós queremos preços justos, viáveis, não de populismo, mas de realidade e com mais barcos e aviões para fazer ligações”, disse Ulisses Correia e Silva.
O líder do MpD acusou ainda Francisco Carvalho de ter transformado a Câmara da Praia num instrumento de combate ao Governo.
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No discurso de recandidatura, defendeu os indicadores de crescimento económico, aceleração do crescimento turístico e ganhos sociais, na saúde, educação e empreendedorismo, com criação de instrumentos que promovem “uma mudança de atitude” e permitem à população “acreditar” em novas oportunidades.
Numa última metáfora, comparou os 10 anos de governação ao percurso de um carro que arrancou e cuja caixa de velocidades só deve aceitar mudanças mais altas, não pode voltar à primeira, “nem engatar marcha atrás”. O discurso de Ulisses Correia e Silva foi precedido por uma intervenção de Joana Rosa, atual ministra da Justiça, que o descreveu como “o bom capitão” em defesa da estabilidade como recurso valioso do país que “não tem ouro nem petróleo”.
Também antes, Eurico Monteiro, outro quadro do partido e atual ministro da Promoção do Investimento, apontou o dedo a quem “promete tudo quase de graça” – numa crítica ao candidato do PAICV – considerando que se trata de “isco para o voto”.
“Cabo Verde para a Frente” é o lema do MpD para a campanha que arrancou na quinta-feira e decorre até 15 de maio. O MpD e o PAICV alternam-se no poder em Cabo Verde desde 1991 e detêm atualmente 38 e 30 deputados na Assembleia Nacional, respetivamente, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) tem quatro e ambiciona quebrar a tradição de maiorias absolutas.
Sem representação parlamentar, o Partido Popular (PP) e o Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS) concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.
Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), foram validadas 48 listas de deputados de cinco partidos. A ilha de Santiago elege 33 dos 72 deputados, cabendo outros 33 às restantes ilhas e seis à diáspora. O número de eleitores deverá crescer cerca de 7% face a 2021, para cerca de 419.700 inscritos.