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Cabo Verde: Primeiro-ministro abre campanha a pedir “mais um mandato” para “consolidar ganhos”

O presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, disse na quinta-feira (30) que se recandidata a um terceiro mandato como primeiro-ministro de Cabo Verde para “consolidar” os resultados da governação

Lusa

No comício de abertura da campanha para as legislativas de 17 de maio, realizado no bairro de Achada Santo António, na capital, Praia, o líder do MpD pediu “mais um mandato para consolidar os ganhos conseguidos até agora, porque quem aprende a atravessar o mar bravo está mais bem preparado”.

O “mar bravo” foram dificuldades como a pandemia de covid-19, apesar das quais “Cabo Verde está melhor”, referiu, justificando-se com indicadores de crescimento económico e credibilidade internacional, com repercussão social interna.

Ulisses Correia e Silva, 63 anos, natural da Praia (ilha de Santiago), subiu ao palco pelas 22:20 (07:20 de hoje [1] em Macau) e durante cerca de uma hora fez um balanço de “um Cabo Verde positivo” que, apesar dos problemas, “está na moda” a nível internacional e que “a oposição não quer ver e cujos resultados menospreza”.

O candidato referiu que tem pela frente um adversário “que não garante estabilidade”, questionando se permite “dormir descansado com a nossa democracia”, numa alusão a Francisco Carvalho, presidente da Câmara da Praia e líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) – e que minutos antes tinha terminado o seu comício de abertura de campanha, noutro ponto da cidade.

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“Uma coisa que nós não prometemos é que o ensino superior seja de graça: o nosso compromisso é aumentarmos as bolsas de estudo e a sua quantidade, porque queremos ter mais jovens com ensino superior” a par da construção de residências universitárias, disse, reagindo a uma das promessas do candidato da oposição.

As dificuldades nos transportes interilhas têm sido outro tema de debate, com o líder do PAICV a prometer ligações de barco a 500 escudos (4,5 euros) e de avião a 5.000 escudos (45 euros), mas o MpD questiona a proposta.

“Querem preços que põem a companhia no chão e que não viabilizam transportes”, perguntou, durante o comício, deixando a resposta: “nós queremos preços justos, viáveis, não de populismo, mas de realidade e com mais barcos e aviões para fazer ligações”, disse Ulisses Correia e Silva.

O líder do MpD acusou ainda Francisco Carvalho de ter transformado a Câmara da Praia num instrumento de combate ao Governo.

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No discurso de recandidatura, defendeu os indicadores de crescimento económico, aceleração do crescimento turístico e ganhos sociais, na saúde, educação e empreendedorismo, com criação de instrumentos que promovem “uma mudança de atitude” e permitem à população “acreditar” em novas oportunidades.

Numa última metáfora, comparou os 10 anos de governação ao percurso de um carro que arrancou e cuja caixa de velocidades só deve aceitar mudanças mais altas, não pode voltar à primeira, “nem engatar marcha atrás”. O discurso de Ulisses Correia e Silva foi precedido por uma intervenção de Joana Rosa, atual ministra da Justiça, que o descreveu como “o bom capitão” em defesa da estabilidade como recurso valioso do país que “não tem ouro nem petróleo”.

Também antes, Eurico Monteiro, outro quadro do partido e atual ministro da Promoção do Investimento, apontou o dedo a quem “promete tudo quase de graça” – numa crítica ao candidato do PAICV – considerando que se trata de “isco para o voto”.

“Cabo Verde para a Frente” é o lema do MpD para a campanha que arrancou na quinta-feira e decorre até 15 de maio. O MpD e o PAICV alternam-se no poder em Cabo Verde desde 1991 e detêm atualmente 38 e 30 deputados na Assembleia Nacional, respetivamente, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) tem quatro e ambiciona quebrar a tradição de maiorias absolutas.

Sem representação parlamentar, o Partido Popular (PP) e o Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS) concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), foram validadas 48 listas de deputados de cinco partidos. A ilha de Santiago elege 33 dos 72 deputados, cabendo outros 33 às restantes ilhas e seis à diáspora. O número de eleitores deverá crescer cerca de 7% face a 2021, para cerca de 419.700 inscritos.

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