“Existem outros fatores igualmente importantes, incluindo problemas estruturais já existentes, como a insegurança alimentar, a subnutrição, a pobreza, o desemprego, a dependência da importação de alimentos, a escassez de água, a diminuição da produtividade dos solos e a limitada capacidade humana”, pode ler-se no estudo, realizado por aquela organização não-governamental.
No estudo, denominado “Impacto das Alterações Climáticas no Setor da Agricultura e nos Problemas Sociais, os investigadores da La’o Hamutuk salientam que as alterações climáticas surgem como um “fator que agrava os desafios já existentes” e com “impactos diretos na economia familiar e consequências negativas na vida das mulheres e crianças”.
O documento destaca também que os vários programas governamentais e dos parceiros de desenvolvimento para aumentar a resiliência daquelas pessoas são bem concebidos, mas a sua implementação ainda não conseguiu ajudar os agricultores a “sair do ciclo de dificuldades que enfrentam”.
“Muitos destes programas oferecem apenas assistência temporária, ajudando as comunidades a adaptarem-se à situação atual, mas não promovem a construção de resiliência a longo prazo”, critica a La’o Hamutuk.
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Segundo a organização, aquela situação acontece porque os planos nacionais não incluem “estudos de viabilidade detalhados” e porque o setor agrícola não é para o poder político um “setor estratégico para o futuro do país”.
No estudo, a La’o Hamutuk propõe uma “mudança estratégica” da abordagem e recomenda ao Governo para conceber políticas e programas que respondam aos “problemas reais enfrentados pelos agricultores” e a realização de estudos de viabilidade.
É também sugerido ao Governo que conserve sementes e avalie os sistemas de mecanização da agricultura introduzidos, bem como equilibre a distribuição da força de trabalho nas áreas onde é mais necessária, sobretudo no apoio direto aos agricultores.
“O Governo deve assegurar que as intervenções dos parceiros de desenvolvimento estejam alinhadas com os programas governamentais”, refere o relatório, salientando que as alterações climáticas devem ser tratadas de forma transversal a vários setores.
Aos parceiros de desenvolvimento, a La’o Hamutuk recomenda que os programas promovam a resiliência das comunidades, que devem ser feitos com o envolvimento das mesmas e com respeito pelos conhecimentos tradicionais e das vulnerabilidades locais.
O estudo propõe às famílias que promovam práticas agrícolas que incentivem a alimentação variada, nutritiva e equilibrada e que reduzam a dependência exclusiva do arroz, base alimentar dos timorenses.