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Cabo Verde: População quer debater emprego, saúde e segurança nas eleições

Eleitores cabo-verdianos ouvidos hoje (29) pela Lusa, na cidade da Praia, apontam o emprego, a saúde e a segurança como temas prioritários na campanha para as eleições legislativas em Cabo Verde, que começa quinta-feira

Lusa

“O emprego jovem deve ser uma prioridade, sobretudo num contexto de dificuldades de inserção no mercado de trabalho”, disse à Lusa Nilsa Tavares, jovem empreendedora na área da estética.

O tema é referido de forma recorrente: “o debate devia focar-se no desemprego e ainda mais no que diz respeito à ajuda aos jovens”, referiu Cisiane Gomes, estudante.

Já a comerciante Zenaida Martins queixou-se de um aumento da chamada “pequena criminalidade” em algumas zonas da cidade, afirmando que a situação afeta o dia-a-dia dos trabalhadores. “Há pessoas que trabalham todos os dias e são atacadas”, lamentou.

De uma forma geral, os eleitores defendem que as campanhas eleitorais devem centrar-se mais em soluções, em vez de promessas vagas ou trocas de acusações entre partidos.

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A professora Ana Cardoso considerou que existe uma distância entre o discurso político e as reais necessidades das famílias. “Não basta fazer uma praça bonita. O mais importante é melhorar as condições de vida das famílias”, afirmou. A docente criticou ainda o atual modelo de campanhas eleitorais, defendendo maior responsabilização na apresentação de propostas.

Ana Maria, vendedora ambulante, criticou o incumprimento recorrente das promessas: “Prometem muitas melhorias, mas depois não as fazem”.

O agricultor José de Pina destacou ainda a saúde como outra das principais preocupações, defendendo mais investimento e atenção ao setor, para evitar que os cabo-verdianos “tenham de ir a Dakar”, capital do Senegal, a 700 quilómetros, procurar tratamentos. “É possível ter uma saúde melhor aqui, basta haver mais atenção”, concluiu.

Os eleitores consideram ainda que os debates eleitorais devem ser mais próximos da realidade das comunidades, com maior enfoque em medidas práticas que possam responder às dificuldades económicas e sociais sentidas diariamente. Cabo Verde realiza eleições legislativas a 17 de maio.

O primeiro-ministro e presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, no cargo desde 2016, candidata-se a um terceiro mandato consecutivo, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, apresenta o seu presidente e autarca da capital, Francisco Carvalho, para tentar voltar ao poder.

Os dois partidos têm governado o país desde as primeiras eleições livres, em 1991, e ocupam atualmente o parlamento com 38 deputados do MpD e 30 do PAICV, cabendo ainda quatro à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que ambiciona ter um papel relevante num eventual cenário sem maioria absoluta.

O Partido Popular (PP) e o Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS), fora do parlamento, concorrem ainda em busca de deputados em seis dos 13 círculos eleitorais.

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