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Galp defende desconcentração do mercado de gás natural no Brasil

O diretor de Comercialização de Power e Gás Natural da Galp no Brasil, Thiago Arakaki, defendeu hoje (29) a desconcentração do mercado de gás natural no país, atualmente dominado pela Petrobras

Lusa

O programa de desconcentração do mercado de gás, chamado de ‘gas release’, atualmente está em debate no órgão regulador do Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Thiago Arakaki declarou que a iniciativa é um “instrumento fundamental” e “positivo para o mercado brasileiro”, embora não deva ser vista como uma “bala de prata” que irá resolver os problemas do mercado de gás no país.

Segundo avaliou o executivo da Galp, há uma estagnação no mercado brasileiro nessa área há pelo menos dois anos sem que o setor “veja grandes melhorias”.  “Eu acho que o gas release pode ser esse instrumento que vai catapultar a próxima fase no mercado de gás do Brasil que todo mundo quer”, sublinhou Thiago Arakaki,

“Todo mundo quer um mercado mais líquido, com mais liquidez, com menos barreiras, com mais transparência para a gente poder crescer”, afirmou ao participar do evento “Gas Week 2026”, da Agência Eixos, em Brasília, com vários empresários do setor.

‘Gas release’ é uma demanda antiga do setor diante da força da Petrobras, a agente dominante na extração de gás natural e também da infraestrutura de escoamento do insumo no Brasil. Enquanto isso, agentes do mercado de óleo e gás concorrentes da Petrobras articulam-se junto do executivo e no Congresso Nacional brasileiro para que o programa seja implementado.

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Para além da concorrência, o Brasil enfrenta ainda problemas estruturais para escoamento da produção do gás, o que é um dos entraves à expansão do setor no país. Para o executivo da Galp, a desconcentração desse mercado pode ser positivo para ampliação da oferta e também da demanda.

“Eu acho que traz mais previsibilidade para os consumidores, para novos investimentos, talvez para a gente aumentar a demanda de gás no Brasil”, observou.

Ao falar sobre ampliação da concorrência, Thiago Arakaki avalia que o aumento da demanda de exploração de gás natural no Brasil pode resolver o problema do custo da infraestrutura para transporte do insumo.

“Eu acho que com mais volume, você tem mais movimentação de gás, mais movimentação de gás se reduz custo do transporte, reduz o custo da distribuição. Então, você consegue, acho, trazer o mercado de gás para um novo patamar no Brasil”, reforçou.

Mais cedo, durante o evento, o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil, Renato Dutra, declarou à imprensa que o país tem um nível de reinjeção de gás natural em cerca de 30 pontos percentuais acima da média mundial. Para Renato Dutra, o Ministério de Minas e Energia, órgão para o qual trabalha, entende que é possível o país ter índices menores de reinclusão do gás natural, por entender que isso não afeta a exploração de petróleo nos poços de exploração.

Na prática, o Ministério de Minas e Energia entende que a descentralização desse mercado no país diminuirá os preços do insumo e aumentará a oferta, explicou. Em 2025, explicou Renato Dutra, o Brasil produziu quase 180 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural nacional, sendo que, desse total, 55% é reinjetado nos poços de extração.

“A média mundial gira ao redor de 25% de reinjeção, ou seja, em tese, sem entrar em detalhes diminutos de números, nós temos reinjetado 30 pontos percentuais acima da média mundial”, declarou.

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