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Deputados consideram Jogos Gay de Hong Kong uma ameaça à segurança nacional

Críticos pediram também uma investigação sobre o financiamento do evento, argumentando que poderia revelar conluio com forças estrangeiras

Nelson Moura

Deputados anti-LGBTQ instaram as autoridades a proibir os Jogos Gay de Hong Kong, que terão início neste fim de semana, alegando que representam uma ameaça à segurança nacional, reportaram vários meios de comunicação da cidade.

Cerca de 20 autoproclamados “cidadãos patrióticos” apresentaram uma petição na legislatura em oposição ao evento, que decorre de 3 a 11 de novembro, alegando que, embora os Jogos Gay digam querer promover a diversidade e a coesão, na verdade, exibiam um “comportamento invasivo”.

Os 11.º Jogos Gay estão na Ásia pela primeira vez desde a sua fundação, em 1982, com cerca de 2.400 participantes de 40 territórios a participar na edição deste ano. A competição inclui uma variedade de modalidades, desde ténis e natação até corridas de barcos-dragão e mahjong.

O evento tem como missão declarada promover os direitos a relações e casamento entre pessoas do mesmo sexo e pessoas trans, o que, segundo os opositores, equivale a espalhar a ideia de “indulgência sexual” para a geração mais jovem da cidade e a “subverter completamente a cultura chinesa e os valores familiares tradicionais”.

“Organizar os Jogos Gays é um convite a problemas e uma ameaça à segurança nacional”, diz a petição. “Ao infiltrar-se na nossa cultura, educação e sistemas jurídicos, há uma tentativa de minar os valores éticos em torno do género, do casamento e da família e de levar a cabo uma revolução colorida”

Entre os legisladores que receberam a petição estava Junius Ho que disse que a agenda de pressionar pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo em Hong Kong era “veneno revestido de açúcar”.

“A agenda [de promoção do casamento entre pessoas do mesmo sexo] contraria a nossa atual constituição, as nossas leis atuais e a nossa lei de segurança nacional”, disse Junius Ho (Photo by Philip FONG / AFP)

“A agenda [de promoção do casamento entre pessoas do mesmo sexo] contraria a nossa atual constituição, as nossas leis atuais e a nossa lei de segurança nacional”, disse Ho, que participou numa conferência de imprensa na quarta-feira organizada por vários deputados opostos à realização dos jogos.

Os deputados pediram também a demissão da membro do Conselho Executivo, Regina Ip, por esta prometer oficializar os jogos, que decorrem num recinto público, o Estádio Rainha Isabel.

No entanto, a conselheira ridicularizou as suas reivindicações na quarta-feira, e prometeu continuar o seu apoio aberto aos Jogos, um evento desportivo e cultural realizado para promover a inclusão e a unidade, apesar de reconhecer nunca ter sido uma apoiante da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo

O centro financeiro regional viu entenrecer algumas vitórias judiciais a favor da igualdade para casais do mesmo sexo e pessoas transgénero. Em setembro, o tribunal superior de Hong Kong decidiu a favor de uniões civis para casais do mesmo sexo, mas não concedeu o direito ao casamento.

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