A chefe dos Assuntos Políticos das Nações Unidas, Rosemary DiCarlo, analisou a situação na Ucrânia numa reunião do Conselho de Segurança e transmitiu preocupação com os civis, mas também com os crescentes ataques da Rússia às infraestruturas alimentares e energéticas.
O ataque com mísseis em Groza na semana passada foi “um dos mais mortíferos contra civis” desde o início da invasão russa da Ucrânia, destacou esta responsável, acrescentando que os especialistas da ONU identificaram 35 dos mortos: 19 mulheres, 15 homens e uma criança.
Rosemary DiCarlo apontou que o local do ataque, onde havia uma loja e um café, era “de natureza civil”, assim como o local com “prédios de habitação” na cidade de Kharkiv, onde outro míssil caiu há menos de 24 horas e matou uma mulher e uma criança, seu neto.
Os ataques “aumentam para um número insuportável de mortes de civis” como resultado da guerra da Rússia contra a Ucrânia, que em 05 de outubro contava com 9.806 mortos, incluindo 560 crianças, de acordo com uma contagem verificada do gabinete do Alto Comissariado dos Direitos Humanos, citado por DiCarlo.
“Os números reais são provavelmente consideravelmente mais elevados e continuarão a aumentar se estes padrões continuarem. Na verdade, nas últimas semanas, os civis e a infraestrutura civil em toda a Ucrânia têm estado sob fogo constante”, vincou.
A diplomata manifestou ainda preocupação com os ataques russos às infraestruturas alimentares e que, somados à retirada da Rússia da iniciativa do mar Negro, não destroem “apenas os meios de subsistência dos ucranianos, mas afetam milhões de pessoas com insegurança alimentar em todo o mundo”.

Os ataques “aumentam para um número insuportável de mortes de civis” como resultado da guerra da Rússia contra a Ucrânia, que em 05 de outubro contava com 9.806 mortos, incluindo 560 crianças (Photo by Oleksandr GIMANOV / AFP)
A maioria dos membros do Conselho de Segurança da ONU expressou solidariedade com a Ucrânia, incluindo a China, cujo representante reconheceu o forte impacto civil do ataque em Groza.
A Rússia manteve a sua linha habitual e concentrou-se em atacar o que considera sentimentos “anti-russos” ou “russofóbicos” por parte dos países ocidentais e insistiu que “a Rússia não está a bombardear objetos civis nem tem como alvo civis”, mas sim usa “armas de alta precisão para destruir apenas as capacidades militares” da Ucrânia.
Sobre ataque em Groza, o embaixador russo, Vasili Nebenzia, indicou que no momento do atentado “houve um funeral de um nacionalista ucraniano de alto escalão” que contou com a presença de cúmplices.
O representante da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, garantiu que se tratavam de “civis e residentes locais que se encontravam a prestar homenagem a um soldado ucraniano caído”.
Plataforma com Lusa