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Duas faces da verdade chinesa

Paulo Rego*

A meta de crescimento económico (5 por cento) implica consumo interno, mas também comércio global e investimento estrangeiro. E isso exige todo um novo mundo de atitudes e relações, sobretudo na Europa – mercado neste momento prioritário para a China.

Estranha-se a cantilena ocidental que vende nada mudar no Politburo… quando, na verdade tudo muda; a olhos vistos – e velocidade estonteante. O spinoff da política de casos-zero – e todas as suas consequências – é demasiado estruturante para ser ignorado. 

Exemplo disso é a operação de charme lançada por Wang Yang na Europa.

Também evidente é a recomposição da imagem de Li Qiang, o homem de Xangai que liderará o Executivo – com ligação umbilical a Xi. Fontes da Reuters descrevem-no agora como um racionalista moderno que preparou o fim do Covid-zero. 

Para consumo interno, desvaloriza-se a pressão popular, e a tensão na cúpula do PC. Para o exterior, apresenta-se a face que vai renegociar o multiculturalismo e o livre comércio internacional.

A questão não se reduz a valores de regime, ou derivas ideológicas. O PC não mudou, o seu líder também não; mas mudam as circunstâncias – e a prática política. A recuperação económica volta ao epicentro da diplomacia chinesa; e não se faz sem mercado externo. A ocidente… haja alguém que perceba que um futuro de costas para a China é uma falsa boa ideia. 

A China tenta reunir condições para acelerar um ambiente negocial, sobretudo com a Europa. Mas, para isso, muita coisa ainda vai mudar – a realidade a isso obriga. 

*Diretor-geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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