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Quase um quarto da população timorense com insegurança alimentar grave e urgente – estudo

Trezentos mil timorenses, 22% da população, enfrentam insegurança alimentar grave e requerem assistência urgente e mais de 13 mil estão numa situação de emergência que requer ação imediata, segundo um estudo a que a Lusa teve acesso.

“Estas populações enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda. É necessária ação urgente”, refere-se no estudo de Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC, na sua sigla em inglês).

Segundo o documento, “são necessárias medidas urgentes para proteger os meios de subsistência, reduzir as lacunas de consumo alimentar e salvar vidas e meios de subsistência das pessoas que sofrem de crise ou insegurança alimentar de emergência (Fase 3 e 4 do IPC)”.

Em termos regionais, no estudo indica-se que 11 das 14 regiões do país estão na fase três, de crise, e três municípios na fase dois, de emergência.

Entre os principais fatores responsáveis pela situação atual, destacam-se “os elevados preços dos alimentos, a redução do poder de compra e os impactos persistentes da pandemia covid-19, bem como as inundações de 2021 e 2022”.

No caso de Timor-Leste, um terço da população vive em insegurança alimentar aguda, cerca de 581 mil estão no nível dois, 286 mil vivem em crise e 13 mil estão em situação de emergência.

No estudo refere-se que Timor-Leste ocupa o 16.º lugar no Índice de Risco Mundial, que indica a exposição severa, vulnerabilidade e suscetibilidade do país aos choques, bem como a falta de capacidade instalada para lidar com essa situação.

Uma situação que se deve tanto a problemas estruturais e crónicos, como ao impacto de desastres naturais no país que agravou a situação para muitas famílias.

Na sua projeção para o período entre maio e setembro deste ano, e com as condições atuais, o estudo aponta uma pequena redução de 22 para 20% nas pessoas classificadas nas fases 3 e 4.

Apesar disso, por exemplo, a região de Ermera, a sul de Díli, terá 5% da sua população a viver na fase considerada de emergência.

“O principal fator que contribui para uma ligeira melhoria da segurança alimentar é o impacto positivo esperado da colheita, que gera oportunidades de emprego relacionadas com a agricultura, melhora a disponibilidade de alimentos no mercado a partir da produção local e aumenta o ‘stock’ alimentar para as famílias que dependem da agricultura”, refere-se no estudo.

“No entanto, os resultados positivos do período de projeção dependerão da gravidade dos choques climáticos, como inundações e secas, que dependerão em grande parte da forma como os choques climáticos severos como as inundações afetarão os 70% da população dependente da agricultura”, acrescenta-se.

Além disso, “pessoas com fontes de rendimento insustentáveis, que muitas vezes geram rendimentos irregulares e inadequados, continuarão a ter dificuldades em obter recursos para mitigar as suas lacunas alimentares”.

Antecipa-se que os preços dos produtos locais devam baixar durante o período as seguir à colheita, “permanecerão elevados em comparação com os níveis anteriores à pandemia”.

Motivo pelo qual considera necessário fazer chegar ajuda alimentar imediata às pessoas que se confrontam diariamente com falta de comida.

O IPC é uma iniciativa que envolve dezenas de parceiros internacionais, incluindo agências das Nações Unidas, para melhorar a segurança alimentar e a análise nutricional e a tomada de decisões.

Para isso é feita uma análise detalhada da situação nos países alvo, com o grau de insegurança alimentar classificado em quatro níveis: fase 1 para ausência de insegurança alimentar aguda, fase dois para pessoas em stress alimentar, fase três para crise, fase quatro para emergência e fase cinco para catástrofe.

Em 2018 foi feito um estudo que analisou a segurança alimentar ao longo do tempo, porém, esta foi a primeira vez que se conduziu um estudo de IPC Grave em Timor-Leste.

O IPC Grave foi conduzido pelo Governo de Timor-Leste, através do Ministério da Agricultura e Pescas com a assistência do Programa Alimentar Mundial (PAM) juntamente com a Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), envolvendo entidades publicas, particularmente a Direção Nacional de Estatística e parceiros ao nível nacional e local.

Os dados do IPC permitem aos Governos, agências da ONU, organizações não-governamentais e da sociedade civil e outros parceiros, “trabalhar em conjunto para determinar a gravidade e magnitude da insegurança alimentar aguda e crónica e situações agudas de desnutrição num país, de acordo com normas científicas reconhecidas internacionalmente”.

O modelo do IPC foi originalmente desenvolvido em 2004 para ser usado na Somália pela Unidade de Segurança Alimentar e Análise Nutricional (FSNAU) da FAO, e envolve hoje 15 organizações a nível global e mais de 30 países na América Latina, África e Ásia.

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