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Comportamento antissocial de jovens timorenses revela fracasso das “principais instituições” – ONG

O comportamento antissocial de muitos jovens em Timor-Leste revela o fracasso das “principais instituições” do país, nomeadamente da liderança política, Igreja Católica e família, refere uma organização não-governamental (ONG).

Num artigo denominado “A crise da juventude timorense como fracasso institucional na promoção da responsabilidade, criatividade e inclusão”, divulgado sexta-feira, a Fundação Mahein (FM) refere que aquele comportamento está ligado ao “fracasso das principais instituições em incutir um sentido de responsabilidade e propósito na geração jovem”.

Em causa estão atos de violência, desrespeito pelas instalações públicas e pela lei, perpetrados por grupos de jovens, quer na capital do país, em Díli, como nos restantes municípios de Timor-Leste.

Salientando que a “falta de oportunidades de trabalho”, a “educação inadequada” e próprio passado do país, com “conflitos violentos”, “impulsionam aqueles fenómenos”, a FM defende um papel “mais ativo” de apoio aos jovens, quer do Governo, quer da Igreja Católica, como da família.

Para a FM, a “geração de líderes de 1975 negligenciou a sua responsabilidade de investir na melhoria do caráter e na inclusão dos jovens”.

“Os políticos de Timor-Leste passam demasiado tempo em jogos políticos de alto nível e em viagens para eventos internacionais, negligenciando ao mesmo tempo as necessidades básicas da população vulnerável”, acusa a fundação.

Segundo a FM, Timor-Leste recebe elogios por ser um dos países “mais democráticos” da Ásia, mas “metade da população vive na pobreza, a subnutrição é generalizada, a economia interna está estagnada, os serviços públicos são disfuncionais e faltam infraestruturas básicas”.

“As glamorosas façanhas internacionais das elites timorenses alimentam um sentimento de desesperança entre muitos, que sabem que os políticos nunca ouvirão as suas preocupações”, salienta a FM.

A organização refere que os jovens “acreditam que o Estado não se preocupa com as suas vidas ou futuro” e que o comportamento “irresponsável e muitas vezes ilegal” de funcionários públicos “contribui para um desrespeito geral do Estado de Direito”.

A FM diz que hoje o setor privado depende do financiamento de agências doadoras internacionais, atribuído através de contratos governamentais, e que não têm “benefícios significativos para as comunidades”.

“Este modelo de desenvolvimento reduziu o sentimento de apropriação entre as comunidades beneficiárias e os trabalhadores em relação a muitos projetos, o que limita tanto a qualidade da sua implementação, como a confiança das pessoas no processo de desenvolvimento em geral”, salienta a FM.

Para a organização, a Igreja Católica também tem uma “grande parcela de responsabilidade”, salientando que os jovens não estão envolvidos em atividades e que para grande parte da sociedade o “envolvimento com a igreja limita-se à participação na missa semanal”.

A FM acredita que, “dada a legitimidade da Igreja Católica na sociedade timorense e a sua significativa experiência de trabalho com os jovens”, aquela poderia abordar os conflitos juvenis, apoiando os jovens com iniciativas comunitárias de desenvolvimento de competências e formação.

“A terceira e última instituição que a FM considera central para a atual crise juvenil é a própria família timorense, que, por razões complexas e variadas, muitas das quais relacionadas com a pobreza e a falta de educação, não conseguem maximizar a criatividade e a motivação dos seus filhos”, afirma a organização.

A FM conclui, considerando que “vê a desordem e a violência generalizadas entre os jovens como sintomas da crise social mais ampla em Timor-Leste, exacerbada pelo fracasso de várias instituições em incutir nos jovens timorenses um sentido de responsabilidade, propósito, motivação e envolvimento com a comunidade em geral”. Segundo os Censos de 2022, 64,6 por cento dos 1,3 milhões de habitantes do país têm menos de 30 anos.

Plataforma com Lusa

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