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Aprender com as lições do caos pandémico

Che Sai WangChe Sai Wang*

Já passou mais de um mês desde que Macau anunciou o relaxamento das políticas de quarentena (8 de dezembro de 2022). Durante este período, evoluímos de uma política dinâmica de Covid-zero para a relativa normalização das fronteiras com Hong Kong e com o Continente, levantando também a quarentena obrigatória para quem vem do estrangeiro. Tudo parece estar a voltar ao normal.

Gostaria de expressar a nossa mais sincera gratidão aos trabalhadores de saúde e funcionários públicos na linha de frente.

Os efeitos de uma infeção por Covid-19 são bem conhecidos: febre, dores musculares, tosse, fadiga… É impossível imaginar que tipo de mentalidade e compreensão que os trabalhadores da linha de frente tiveram de manter ao servir o público que estava infetado. Acredito que todos os cidadãos e o Governo testemunharam pessoalmente a dedicação destes funcionários durante o período mais sensível. O seu espírito e ações merecem elogios e recompensas.

Com o relaxamento das medidas de prevenção da pandemia, a disseminação do vírus na comunidade tornou-se ainda mais desenfreada. O número de infetados aumentou drasticamente e foi muito difícil encontrar medicamentos nas farmácias, sendo que algumas pessoas chegavam a comprar medicamentos na cidade para depois vender a preços elevados na China Continental. A introdução de um limite na quantidade permitida por compra veio tarde demais para compensar a escassez de medicamentos a tempo. Foi reportado que o número de chamadas de ambulância aumentou acentuadamente desde que as medidas de prevenção da pandemia foram relaxadas, com uma média de 400 viagens de ambulância por dia no seu pico.

O rápido alastrar da pandemia teve também um sério impacto no sistema de saúde. Trabalhadores foram infetados, os recursos humanos diminuíram e a pressão no trabalho aumentou repentinamente. No entanto, o trabalho continuou mesmo com o risco de enfrentar as febres altas.

Nos três primeiros trimestres de 2022, o número médio de óbitos em Macau foi de 600 por trimestre. Segundo dados oficiais, só em dezembro de 2022 faleceram 600 pessoas devido ao novo coronavírus e sintomas relacionados, pelo que se pode estimar que mais de mil pessoas faleceram durante este surto de Covid-19. Segundo foi noticiado recentemente, o tempo de espera para a realização de uma cerimónia fúnebre pode chegar até três meses. Além disso, de acordo com a política de prevenção, os corpos daqueles que faleceram durante este período devem ser embalados e lacrados, não podendo ser abertos para as cerimónias fúnebres.

Nem as famílias podem ver os corpos. Isto, claro, é difícil de suportar.

Os trabalhadores da linha de frente, tanto dos serviços de saúde como da indústria funerária, uma “linha da vida e da morte”, enfrentam agora um caos e pressão inimagináveis.

Tudo o que foi dito acima aponta para a falta de preparação do Executivo antes da reabertura. Se as autoridades tivessem formulado um plano claro de preparação de mão de obra e de apoio aos trabalhadores da saúde infetados com a Covid-19, ou um plano antecipado de abastecimento de medicamentos, o número de famílias em luto seria muito menor. Estatísticas estão longe de indicar o peso que cada família carrega.

Espero que as autoridades governamentais aprendam uma lição com esta amarga experiência e ofereça elogios e compensações aos profissionais de saúde e funcionários públicos que ainda trabalham arduamente na linha de frente, bem como às famílias que estão a sofrer. Espera-se também que otimize o mais rápido possível os regulamentos de prevenção da pandemia no que toca a falecidos.

*Deputado da Assembleia Legislativa de Macau/Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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