"A indústria do turismo em Macau está pronta" - Plataforma Media

“A indústria do turismo em Macau está pronta”

Ano Novo Chinês deve ser ainda melhor do que aquilo que as autoridades previam. A idade e os hábitos dos turistas que entram em Macau mudou comparativamente a 2019. Membros da indústria falam sobre o corte com o passado e a necessidade de ter novas ideias e itinerários para um mercado que se renovou

Pela primeira vez em três anos, já não é obrigatório apresentar teste negativo de ácido nucleico à entrada em Macau para quem vem do Continente, Hong Kong e Taiwan. A medida entrou em vigor a 8 de janeiro.

Nos primeiros três dias desde o relaxamento das medidas de prevenção pandémica foram registadas 213.000 entradas e saídas nos postos fronteiriços de Macau (109 mil entradas e 104 mil saídas), segundo a Polícia de Segurança Pública. Zonas como as Ruínas de São Paulo e o Largo do Senado estiveram lotadas, com os primeiros dias desde essa reabertura a trazerem à cidade mais de 35 mil visitantes por dia.

Foi como um regresso aos bons velhos tempos de Macau. “No dia 8, houve 38 mil visitantes a entrar, no dia 9, uns 36.000 e no dia 10 cerca de 35 mil. Pode dizer-se que o turismo está realmente a renascer,” diz ao PLATAFORMA Wu Keng Kuong, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau. Para o líder associativo, os números são surpreendentes, já que não esperava uma recuperação tão rápida desde que o Governo lançou a estimativa de 40 mil visitantes diários para 2023.

Leia também: Macau volta a ser destino de invasão turística, com fim das restrições

Hu Keng Kuong acredita que o regresso das excursões de grupo do Continente permitiram à cidade atingir estes números, e aponta que com a melhoria das ligações de transportes entre Hong Kong e Macau, a recuperação do volume de visitantes será ainda mais rápida. David Dai, vice-presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, avança que “os hotéis com classificação por estrelas estão a registar entre 70-80 por cento de ocupação desde 8 de janeiro”.

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) vai também a oferecer descontos nos bilhetes de ida e volta de ferry ou autocarro para visitantes de Hong Kong a partir de 13 de janeiro, de forma a incentivar estes turistas a pernoitarem em Macau.

Leia mais sobre o assunto: Macau promove-se em Hong Kong e oferece bilhete para uma viagem de barco ou autocarro

À imprensa local, o diretor-adjunto da DST, Cheng Wai Tong, afirmou que a resposta do setor de transportes foi positiva, com duas empresas de ferry – TurboJET e Cotai Water Jet – e uma empresa de autocarros – a Hong Kong-Macao Express – a colaborarem neste esquema de promoções. Quanto a outras empresas de transporte marítimo e terreste, estão neste momento em negociações para dinamizar o fluxo de visitantes.

Comentando sobre os planos do Governo, Hu Keng Kuong está otimista quanto ao futuro, acreditando que as medidas vão beneficiar a comunidade local.“O lançamento da política de bilhetes de ferry em Macau trouxe visitantes de Hong Kong, o nosso segundo maior mercado de turistas”.

Leia também: TurboJet diz estar preparada para reatar ligações marítimas entre Macau e Hong Kong

ANO NOVO CHINÊS DEVE ULTRAPASSAR PREVISÕES

O pico de reservas deve ser cerca de cinco a sete dias, indica David Dai ao PLATAFORMA. Ao nosso jornal, o responsável diz que há uma semana atrás apontava para 40 mil visitantes nos feriados festivos. Porém, os últimos três dias dão-lhe confiança para ir um pouco mais longe, acreditando que Macau deve ultrapassar os 50 mil no período do Ano Novo Chinês.

Entretanto, as autoridades avançaram esperar um máximo de 50 mil visitantes diários no Ano Novo Lunar. São menos 70 por cento dos números registados antes da pandemia, muito devido à situação ainda irregular dos transportes marítimos e aéreos, alegam as autoridades.

Hu Huifang, representante da Associação de Guia Turístico de Macau, também espera muitos turistas de Hong Kong nos feriados. Segundo o mesmo, os guias turísticos disponíveis serão suficientes para fazer face ao número de visitantes, “pois as excursões de grupo não devem chegar tão cedo e os viajantes independentes não precisam dos seus serviços. Houve muitos guias turísticos que foram trabalhar em tempo parcial para estações de testagem à Covid-19. Agora que as estações estão fechadas, vão estar disponíveis. O pleno relaxamento das medidas preventivas traz-nos a todos muita esperança”.

REENCONTRO DE VELHOS AMIGOS

Ao chegar a Macau de autocarro na manhã de 8 de janeiro, residentes de Hong Kong falaram ao PLATAFORMA sobre o regresso da ligação entre as duas regiões.

Ah Fai e dois amigos nunca pensaram que o local mais próximo de Hong Kong fosse um dia tão difícil de alcançar. Carregando dois sacos de bolos de amêndoa no regresso a Hong Kong, diz ao nosso jornal que a sua última vinda a Macau parece ter sido “noutra vida”, referindo-se aos três anos em que não teve contacto com a cidade. Antes da pandemia, Ah Fai viajava principalmente por Singapura, Malásia, Tailândia ou Taiwan.

Leia também: Os turistas que se quer na cidade de Macau

Mas, “talvez por estar tanto tempo preso em Hong Kong, vir a Macau, comer um pastel de nata e passear pelo Cotai já é uma sensação de viagem indescritível”. Jane e o marido, que já não visitavam a cidade há muito tempo, dizem que surgiram novas atrações nos últimos três anos. O Museu da Fábrica de Panchões e a Capela de Nossa Senhora da Guia, os quais fizeram parte do itinerário do casal, são pontos turísticos que não existiam antes da pandemia.

“Quando vim para Macau tive uma sensação de familiaridade indescritível. Mas em comparação com o passado, a cidade está agora mais calma e menos lotada”, observa.

NOVAS TENDÊNCIAS DO TURISMO

A indústria do turismo de Macau passou por uma revolução silenciosa nos últimos três anos, no que toca aos métodos de promoção. Na plataforma online chinesa Xiaohongshu, onde internautas podem trocar recomendações de compras e viagens, pode ver-se a diretora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, a promover a cidade.

“É uma questão de moda, já não dá para fazer os passeios como costumávamos. Nós, como guias turísticos, também precisamos de acompanhar estas mudanças. Não podemos voltar aos velhos tempos,” diz Hu Huifang.

Na sua opinião, é preciso organizar excursões mais curtas e personalizadas. “Hoje em dia a maioria dos clientes são jovens. Antes tínhamos pessoas idosas em grupos maiores. A tendência de mercado agora é publicar fotos nas redes sociais. Mesmo os mais idosos já começam a fazer parte desse movimento”.

Leia também: Falta de transportes limita número de visitantes em Macau no Ano Novo Lunar

Perante esta alteração no mercado turístico, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau indica que os guias turísticos em Macau têm de optar por uma nova abordagem, explicando que se o roteiro turístico é baseado em atrações, o itinerário para estes novos turistas terá de ser diferente do antigo, caso contrário deixa de ser atrativo. Por essa razão, informa o nosso jornal que a associação tem colaborado com agências de viagens do Continente para criar novos itinerários em Macau.

Durante a pandemia, a DST lançou o “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”, numa tentativa de dinamizar a indústria do turismo local. Um projeto que Hu Huifang acredita ter ajudado a renovar o setor. Por outro lado, confessa que ajudou os guias turísticos a criar novas ideias para as excursões em Macau. Como exemplo, aponta para os “Roteiros para visitas de estudo”, que só podem ser realizados depois de muita pesquisa.

Para estas excursões, os destinatários são os estudantes dos ensinos secundário, primário e especial de Macau que sejam titulares do bilhete de identidade de residente de Macau.

“A nossa indústria está pronta. O mais importante agora é fidelizar os clientes e explorar a possibilidade de colaborar com outras indústrias, incluindo hotelaria, restauração ou marketing, esperando que todas as indústrias beneficiem, e não apenas uma”, conclui.

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