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“Hengqin é agora; é melhor ir já”

Paulo RegoPaulo Rego

A Zona de Cooperação entre Macau e Guangdong cresce a olhos vistos, cumprindo um destino há muito anunciado… embora por vezes mais lento do que muitos esperavam. Macau vive um sentimento misto, feito de esperança e expectativa, mas também de dúvida – e até ceticismo.

Valerá mesmo a pena?

Será este o tempo de trabalhar, investir, viver do lado de lá?

António Lei, diretor dos Serviços de Desenvolvimento Económico em Hengqin, lança o repto: “O tempo é agora; é melhor ir já. Pergunto é se amanhã não será tarde”.

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António Lei esteve esta quarta-feira a promover Hengqin numa sessão coorganizada pela Fundação Rui Cunha e pela Câmara de Comércio Europeia em Macau, tendo deixado uma série de pistas sobre uma “oportunidade única” que Macau “tem de aproveitar”; porque “não terá provavelmente outra para crescer e diversificar a sua economia”.

Algo que hoje será mais óbvio e perceptível; por um lado, tendo em conta a situação económica “difícil” que a RAEM atravessa; por outro, porque ao cabo de mais de um ano como membro da Comissão Executiva da Zona de Cooperação, vislumbra passos decisivos já em 2023.

Nesse contexto deixa o conselho: “Vão lá ver, visitem os parques tecnológicos, escolas, centro de saúde, hospitais, as zonas de lazer… Vejam o que podem lá fazer para uma oportunidade única, uma experiência nunca antes vivida na China”.

QUARTA ILHA DE MACAU

Uma das questões centrais, do ponto de vista de Macau, será a consolidação de uma fronteira reforçada na travessia entre Henqin e Zhuhai, a chamada “Segunda Linha” do Plano Geral de Desenvolvimento – em particular a estrutura da alfândega, para controlo da circulação de produtos.
Essa estratégia, que deve ser implementada já em “meados de 2023; tem como consequência imediata o “relaxamento da fronteira na Primeira Linha”.

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Ou seja, facilitando o corredor entre Macau e Hengqin, quer a travessia se faça a pé ou de carro. Haverá sempre fronteira, mas “tem de ser fácil para os residentes de Macau irem e virem diariamente, caso contrário o plano não funciona”, reconhece António Lei, admitindo estarem em estudo mecanismos como o “controlo eletrónico do BIR”, ou mesmo “o reconhecimento facial”, para que os residentes de Macau sintam Hengqin como “a sua casa, a quarta ilha de Macau, quase como se fosse ir à Taipa ou a Coloane”, conclui.

ELITE, OPORTUNIDADE… E LEI EXCLUSIVA

Até 2035, prevê-se que possam estar a viver em Hengqin cerca de “150 mil pessoas”. Ou seja, se hoje se sente a falta dos residentes, a Zona de Cooperação pretende transformar-se numa plataforma de elite, marcada pela modernidade, lazer e zonas verdes, com menos de um quarto da população e um espaço três vezes maior que Macau.

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A lei em vigor hoje em Hengqin é a da China; mas também isso vai mudar. A Comissão de Gestão da Zona de Cooperação, muito mais do que os regulamentos administrativos, que hoje se revelam urgentes para a governação, está a preparar uma nova arquitetura jurídica, incluindo “uma espécie de mini-lei básica, que será muito mais parecida com a lei de Macau do que com a da China”, vaticina António Lei.

PLATAFORMA LUSÓFONA

António Lei, bilingue perfeito, quadro experiente na plataforma lusófona, por força das funções que exerceu no Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, fez questão de comunicar em português, com o objetivo assumido de passar à comunidade portuguesa de Macau a importância que lhe é dada em Hengqin:

“Se queremos uma Zona de Cooperação aberta ao exterior, que marque a diferença em relação a toda a China, é muito importante que a comunidade portuguesa de Macau entenda o papel que lhe cabe neste projeto; não só pela sua presença física direta, mas também contribuindo para trazer projetos, investimento e talentos vindos dos Países de Língua Portuguesa”.

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