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Regresso inevitável

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Calhou ser hoje, podia ser amanhã; o que não podia era não voltar a acontecer. Questionam-se novamente as medidas de prevenção e cresce a distância entre o Palácio e o povo. Quem previa há três anos que a intolerância ao vírus se mantivesse hoje ao mesmo nível? E tudo mais custa quando vemos a nossa irmã, Hong Kong, a sair da bolha da qual Macau não pode… senão rebenta.

Não se trata da disciplina preventiva que é acionada com um caso, dois, três… trata-se do caso, que é Macau.

A autonomia não é apenas consagrada por lei, é protegida pelos passos que se dão nesse sentido. As fichas continuaram a ser colocadas num mercado já rendido. Macau, cega e surda, não percebeu a tempo que a autonomia saía reforçada conquistando mais… sendo mais ambiciosa na sua exposição ao mundo.

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Hoje, presa na teia da arrogância, faz aquilo que pode para manter a única ponte que soube desenvolver. Manter o mercado do Continente – o único que conhece – é a prioridade, para que males maiores não cheguem.

Os números falam por si e pô-los em causa é fugir à realidade. Há poucas ideias concretas sobre o próximo passo a dar. E essas soluções só ganham pernas depois da reabertura.

Visto desta forma, a questão ganha ainda mais relevância: “Quando?”

Ninguém sabe.

Mas uma coisa é certa: falar de reabertura local desconsiderando a nacional é dar um tiro no pé.A crise não se resolve com a reabertura, ainda mais quando tudo indica que o jogo não trará os mesmos dividendos.

Já se sabe que o caminho é outro: envolve os Países de Língua Portuguesa e novas indústrias. Para isso, também novos talentos, que Macau tem de importar. A cada dia que se foi ignorando o que já era inevitável antes da pandemia, foi-se perdendo força para decidir de forma diferente. Muitos trabalhadores locais vivem do outro lado; a receita também.

E então Macau ativou o instinto de sobrevivência. Neste momento, impedir o vírus de causar estragos na relação com o Continente é visto como o único sucesso político.

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Viu-se em junho que, quando se “permite” a sua propagação, a recuperação desacelera e retrocede. Sim, eventos foram cancelados, nomeadamente da Lusofonia, e dá tudo um passo atrás para acautelar mais dez.

Contudo, as autoridades não devem esquecer por que lutam. A intransigência é com o vírus, não para com as necessidades da população e das empresas, que são várias, e não desaparecem com cartões de consumo e subsídios.

A população percebe as dificuldades, sente-as na pele, e pede que o compromisso seja mútuo. Se a estratégia é dinâmica, então as autoridades devem entender que as necessidades de quem a cumpre também o são. Não se pode cair no erro de pensar que quem não tem presente conforma-se com o futuro (muito menos quando nem esse é claro).

A comunicação entre o Governo, empresas e população é de extrema importância, sobretudo em alturas de aperto. Ninguém ganha se não houver relação entre as partes quando se sair da tempestade – assim outra virá: o divórcio entre a cidade e o seu futuro.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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