Sinais de vida - Plataforma Media

Sinais de vida

Guilherme Rego

Esta Semana Dourada foi preparada de forma cuidadosa, com as autoridades a evitarem lançar previsões e expectativas desmedidas, que mais tarde sempre comprovavam estar desfasadas da dura realidade de Macau.

Ao que parece, esses cuidados deram resultado, pois a média diária de visitantes bateu os recordes pandémicos. Nada que se aproxime aos números de 2019, como sempre fazemos questão de relembrar, mas aliado ao regresso das excursões de grupo, bem como dos vistos eletrónicos para quem vem do Interior, justifica-se a esperança de quem vive do turismo.

A caminho do terceiro ano de isolamento, a população sente mais que nunca o peso da escolha e, embora haja consenso na comunidade que o fim pode estar para breve, fontes do PLATAFORMA indicam que há danos irreversíveis adjacentes às decisões de Macau.

Falando do que é real, a cidade tem potencial imenso para rivalizar com qualquer parte do mundo em dois campos: indústria do jogo e MICE.

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Em 20 anos foi isso que construiu, e, apesar de planear um futuro diversificado, com mais soluções – e bem – a reabertura exige o regresso em força dessas duas áreas. São a base de tudo, o bambu antes do betão.

Mas desde o segundo semestre que se tem testemunhado uma deslocalização preocupante das empresas de suporte ao jogo e, mais tarde, dos grandes eventos que Macau sempre acolheu. Há sempre dois lados da moeda: uns acreditam que é temporário, outros que a mudança é permanente.

E aqui está o perigo que o atraso de Macau representa. Enquanto a cidade hiberna, a competição regional aproveita e sedimenta a sua posição no mercado.

Leia também: Xi diz que pandemia obrigou a repensar economia de Macau

O regresso à normalidade não será um mar de rosas. A recuperação não será num estalar de dedos. Cedo se vai perceber que faltam os recursos para competir num mercado que não conhece – o estrangeiro.

O Governo de Macau faz o que pode com o que herdou. Partilha o leme com Pequim para juntos encontrarem a saída da pandemia.

Mas muitos já abandonaram o barco, pois os binóculos só viam tempestade. Tem de se dar sinais de vida, para que a grande infraestrutura esteja acompanhada dos recursos humanos necessários para dar a volta à estagnação económica.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: English

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