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Governo de fichas

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Abriu o esperado concurso público de atribuição das licenças de jogo. Há quem espere um desfecho sem surpresas, há quem veja no bloco americano alguma fragilidade. Não obstante, o nevoeiro continua espesso e nada convidativo para antigas e novas concorrentes.

Primeiro, não há qualquer previsão quanto ao levantamento da política de casos zero, o que seria crucial para a retoma da atividade. Segundo, cresce uma atitude em Pequim que turva as futuras receitas. Para agravar, têm agora dez anos para fazer o que não conseguiram em vinte – diversificar a economia, internacionalizar Macau e atrair novos mercados, entre outras.

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O documento exige que os concorrentes elaborem propostas com resultados projetados para 11 pontos em pouco mais de um mês, ou seja, tem tudo para dar certo…

Mais, um dos pontos é aquele que sempre me fez confusão: incumbe-se a uma empresa de jogo a responsabilidade de diversificar a economia, sabendo perfeitamente que isso é uma ameaça à sua sobrevivência e que não têm nem deviam ter esse know-how. Delega-se ao privado o que compete ao público.

Quanto à atração de novos mercados e internacionalização, académicos do ramo ainda propõem a criação de um grupo de trabalho público-privado, quando este já devia ter sido estabelecido há anos.

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Duas décadas depois, onde estamos?

Numa economia em que só um setor conta e é alimentado por um só mercado.

Responsabilidade social?

Sim, todas as empresas com dimensão devem ter. Mas só o Governo pode acarretar com o desenvolvimento sustentável de Macau, das mudanças estruturais que a todos englobam para cumprir objetivos a longo prazo.

Um Governo de fichas obrigado a dar cartas contra a sua sorte trará azar para todos.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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