
A revisão da lei do jogo vem alterar o cenário dos últimos vinte anos. Muito se concretizou com a atual, mas as suas lacunas também permitiram situações que se quer evitar no quadro futuro da RAEM. A mudança era necessária. Contudo, os hábitos que se criaram nas últimas duas décadas ganharam raízes, e essas, se levantadas, inevitavelmente criam fissuras na estrutura económica de Macau.
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A grande fatia das mudanças são bem-vindas por “todos”; outras nem tanto, nomeadamente o problema com que agora se deparam os casinos satélite. Operados por terceiros, sob licença das concessionárias, encontram-se 18 estabelecimentos destes pela cidade. A nova lei cria um problema: as concessionárias têm de ser proprietárias destas operações ou absorvê-las nas suas propriedades.
Na verdade são dois problemas, pois os proprietários já expressaram preocupação com a capacidade financeira das concessionária sem oferecer um valor justo pela operação; e será que têm capacidade para absorver a totalidade dos funcionários dos casinos satélite? Estamos a falar de 10 mil empregos. A SJM, por exemplo, detém 14 dos 18 casinos. Por outro lado, estes estabelecimentos, com largos anos de história, criaram um ecossistema económico nos locais onde se inserem, e que desmorona caso desapareçam. A intenção é compreensível, uma melhor supervisão e controlo operacional é o que faz a tinta correr após um hiato de vinte anos. Contudo, será que o impacto foi precavido?
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Onde operam, são um suporte à comunidade local, atraindo clientes não só para jogar, mas também para os restaurantes e lojas que, dentro ou fora, beneficiam da sua presença. Sem estes casinos, correm o sério risco de se juntar aos negócios que já fecharam portas devido à pandemia da Covid-19 –o que deve ser acautelado. Estima–se que os casinos satélite representem entre 8 a 10 por cento das receitas brutas de jogo, o que ainda é uma fatia considerável. O seu futuro permanece incerto, bem como a vida de quem deles depende, direta ou indiretamente. O Governo vai fintando as perguntas, dando a sensação de que carece de respostas.
*Diretor-Executivo do PLATAFORMA