A crise depois da crise - Plataforma Media

A crise depois da crise

Paulo Rego

Parecia já ultrapassada – ou pelo menos mitigada – a chamada crise do subprime. Mas o facto é que a febre especulativa, muito mais explicada do que realmente percebida, não curou a febre especulativa.

A pressão regulatória, apresentada como antibiótico, mostra-se incapaz de desinflamar o domínio do sistema financeiro sobre a prática política. E não é só nas democracias liberais…

Veio entretanto a pandemia, que tudo transformou em paralisia. O pânico foi anestesiado por uma vacina que bateu os recordes de velocidade da investigação clínica, com a produção de uma vacina que chegámos a temer ser impossível chegar à velocidade que chegou.

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Dizem os mais otimistas estarmos agora às portas da endemia… Ou seja, a fase em que o vírus enfraquece nas suas consequências, mas circula a tamanha velocidade que acaba ele próprio por imunizar a humanidade que o hospeda. Mas há uma infeção letal à ideia de civilidade global: os países ricos preparam-se para ministrar a quarta dose às suas populações; os mais pobres nem sequer a primeira conseguiram democratizar.

Cheira a fim de ciclo. Vem aí o novo mundo? Venha ele, porque o futuro tem sempre lugar

Como se a tempestade não fosse ainda perfeita, vem aí a inflação… que vai apertar o cinto à economia. E junta-se a corrida às matérias primas, cada vez mais escassas. A Ucrânia é o farol que anuncia os conflitos geoestratégicos.

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O problema não é ideológico nem o jogo de alianças. A guerra tem nome: energia. A rede de interpretação não pode ser dicotómica; a leitura tem de ser holística, intercultural, e menos conservadora.

Ou seja, a cura não se faz de valores nem de lições da experiência. É preciso inovar, ter coragem e ver a luz. Fórmulas iguais não dão resultados diferentes. Mas são poucos os sinais que anunciam a consciência.

Cheira a fim de ciclo. Vem aí o novo mundo? Venha ele, porque o futuro tem sempre lugar.

Coisa diferente é a dor do presente – duro e implacável. A cobra muda de pele – veste a nova vida. Mas paga cara a fatura: primeiro sangra e enrola a dor.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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