Silly Season - Capítulo 4 - Plataforma Media

Silly Season – Capítulo 4

Ainda temos pela frente um mês da chamada silly season. Aproveitemospara desanuviar o espírito com fábulas

Quotidianos animais

Félix entrou para escola de cadetes da polícia dos gatos e logo no primeiro dia levou com a praxe dos mais velhos: mandaram-no contar as estrias dentro do cano de uma pistola e assim que encostou o olho à boca do cano os colegas dispararam. Enquanto esperneava no chão “ai que eu morro, ai que eu morro” os colegas riam à gargalhada até que um lhe disse: “-be cool man, não sejas tão pussy, ainda te restam seis vidas”.

Na fábrica de descasque de amendoins, Elias, o chimpanzé teve de ser frontal com Amália, a serpente: “-ó menina, francamente, acho que já se percebeu que isto não é emprego para si”.

Título do Notícias Leoninas. “Cientistas comprovam: leões que se alimentam de zebras de soja e gazelas de tofu vivem mais tempo”.

A grande jornada de voo da Joaninha iniciou-se quando esta fez 18 anos e a mãe lhe confessou que o pai não morrera na guerra, abandonou-as basando para Lisboa.

No gabinete do director do Centro de Espiritualidades Dinossáuricas entram vários T Rex e pedem para sair das aulas da professora Mariana. O motivo da desistência é que nenhum passa do nível 1, abraçar árvores.

Entre os seus pares, o gato mais admirado pela irreverência e inovação não é o que pensa fora da caixa, é o que caga fora da caixa.

No laboratório de experiências cosméticas com batons, Cristina, a cobaia, esperava à porta da gaiola para sair com o namorado. O pai, um bota d’elástico, olha para ela e diz-lhe: “-onde é que a menina julga que vai, assim toda pintada?”

Os cães de guarda apanharam vários suspeitos do assalto ao galinheiro, puseram-nos em linha e mandaram as galinhas apontar o culpado. Entre o porco, o coelho, o pato, o ganso e o guaxinim todas apontaram para o último. Enquanto saía algemado direito à gaiola, o acusado não escondia a sua revolta: “-estou inocente! É porque tenho uma máscara? Isso é preconceito!”

A pequena mosca sentou-se à mesa para almoçar e levou logo uma reprimenda da mãe mosca: “-já sujaste as patas? Quantas vezes é preciso dizer-te que deves sujar as patas antes de vir para a mesa?”

Após observar a catrefada de exames, o cavalo médico tranquiliza o nervoso cavalo paciente: “-calma amigo Eduardo, ainda não é desta que vai levar um tiro; você não tem a perna partida, sofre apenas da doença mais comum, hipismo.”

Num casamento de gatos o fotógrafo pediu aos noivos e convidados para tirar uma foto em plano geral mas teve a infeliz ideia de dizer “olha o passarinho”: todos desataram a correr à procura do tal passarinho.

Tomás, o boi caixa d’óculos era constantemente vítima de bullying na escola. A última que os bois do 10º ano fizeram foi tirar-lhe os óculos, esmagá-los com os cascos, e obrigá-lo a correr em direcção à parede do ginásio enquanto gritava “não vejo um boi à minha frente”.

A futura mamã flaminga foi ao obstetra fazer uma ecografia ao ovo para saber o sexo do bebé. O médico, um flamingo espirituoso, disse-lhe: “-pode começar a comprar um enxovalinho cor de rosa…” A flaminga ainda mais ansiosa retruca: “-ó “soutor” que o enxoval é cor de rosa todos sabemos, até já o comprei; vá lá, não faça mais suspense, é menino ou menina?”

Uma zebra debate-se para não se afogar no rio e logo os crocodilos se precipitam das margens para a apanhar. No meio da confusão um deles vai gritando “deixem-me passar, eu como primeiro”, enquanto um segundo comenta com um terceiro “lá está o Afonso com a mania que é Lacoste”…

O preço da vida versus o preço da dignidade. Cláudio o lagartixo foi encurralado por um gangue de gatos de rua. Como se salvou? Dando o rabo.

Um hipopótamo que estava a ficar demasiado magro consultou um nutricionista. Ficou a saber que tinha hipoglicemia e devia comer erva-doce.

Uma centopeia foi a uma sapataria e depois de muito escolher pareceu finalmente satisfeita. Dirigiu-se ao exausto vendedor e disse “gosto destes, vou levar”. O vendedor perguntou “e o número, é 36?” ao que ela respondeu “sim, 36 pares se faz favor”.

Descobrindo a égua que o seu esposo cavalo a traía com uma cavala, resolveu vingar-se à altura: arranjou um amante cavalo marinho.

Um polvo e uma polva estavam a curtir nas rochas ao pôr do sol quando ela diz: “-eh, eh mais devagar! Vocês machos parece que têm oito braços, fogo…”

Confiança. De medalhão dourado ao peito e farta juba ao vento, o leão Júlio era na juventude um grande cortejador de damas. Com a idade apareceram-lhe entradas, rapou o resto da juba e agora diz ufanamente que é dos carecas que elas gostam mais.

No controlo de fronteiras das cobras a oficial aduaneira perguntou: “-tem alguma coisa a declarar?” Sílvia, a cobra que horas antes tinha engolido uma mula só aí percebeu que estava em maus lençóis. 

O casal de tubarões-martelo comprou uns quadros para decorar a sala. Na hora de os pendurar ele ficou atrapalhado: “-e agora como vou pregar isto na parede?” Diz-lhe ela: “-ó Tobias francamente, usa a cabeça, pá!”

Chegado o outono todos os patos voaram para o sul, excepto Daniel que ficou no norte e acabou por morrer de frio… Infelizmente sofria de falta de instinto.

Num laboratório asséptico um casal de moscas discute: “a sério Toni, este foi o sítio mais nojento que encontraste para berço das nossas larvas? A mamã é que tinha razão, és um looser. Não há aqui nada podre, por amor de Deus!”

A curiosidade só mata o gato se antes ele já tiver sido curioso seis vezes.

Em plena selva amazónica um macaco detectou a presença de uma onça; lançou imediatamente uma gritaria de alerta, logo seguido de todo o bando e vários animais que se puseram em fuga para outras árvores. Dois dias depois chegou a preguiça: “-que berreiro foi aquele há bocado, man?”

O pai escaravelho ensinava o filho escaravelho a fazer bolas de bosta mas mas a falta de jeito enervou o pai e o filho pôs-se a chorar. A mãe que observava tudo disse: “-ó Gustavo não te irrites com o miúdo, por amor de Deus, ele ainda é muito escaranovo para isso”.

Miguel, o passarinho beija-flor sentia-se muito stressado. Para sua desgraça consultou um beija-flor charlatão que lhe receitou um calmante; resultado: morreu à fome.

O veado estava perdidamente apaixonado pela porca mas ela escusava-se ao compromisso. Já desesperado ele indagou o motivo, se não o achava atraente. Ela retorquiu: “-queres mesmo saber? Não me dás segurança; não confio em quem investiu tanto em cornos e tão pouco em gordura”.

Depois de uma acalorada tarde de sexo o Louva-a-Deus pergunta à Louva-a-Deus: “-vamos jantar fora?” Responde esta: “-não, apetece-me comer-TE em casa”.

Elegia fúnebre de cabras: “-Célia deixa saudades em todos nós, toda a vida foi uma grande cabra, o seu carácter não deixa dúvidas a ninguém, diria mesmo que foi uma cabra com C grande”. E com estas palavras o pobre viúvo cabrão desmanchou-se em lágrimas.

Na reunião da task force para a criação de negócios inovadores, Otto, o caracol propôs aos seus pares uma imobiliária; ouviu das boas do chefe: “-essa ideia é estúpida, toda a gente tem uma casa!”

Era um ouriço tão assustadiço que sempre que um amigo lhe gritava “olha o aranhiço” ele picava-se todo com isso.

Jonas, o dragão, teve a infeliz ideia de ir viver para um bungalow de madeira; cada vez que arrotava lá vinham os bombeiros.

A altas horas da noite a mosca-da-fruta esperava no sofá o marido de tesoura em punho quando este entra em casa a cambalear com um grão na asa; diz-lhe ela: “- foi a última vez, vou-me embora! Estou farta das tuas noitadas com amigos nas uvas fermentadas”. Responde ele: “- endão vai (hic) gue eu esdou farto gue me cortes as asas; já guase nem denho onde pôr o grão”.

Quando um rinoceronte tem dores de ouvidos, consulta um otorrinocerontologista.

O suricato saiu num blind date com a girafa. Ela falava, falava, mas ele excitadinho parecia não prestar muita atenção à conversa até que ela resolve pôr um travão: “pst, ó cavalheiro, os olhos estão cá em cima…”

Foi um velório de cortar à faca! Telmo, o crocodilo, jazia no caixão e sempre que algum dos crocodilos presentes vertia uma lágrima a viúva não se coibia de soltar entre dentes “fffallllsso”…

Uma fêmea pinguim desabafa com uma amiga: “-vê lá tu que o Paulo disse há uma semana que ia ao mar buscar peixe para os miúdos e nunca mais apareceu.” Responde a outra: “-oh fiiilha, os pinguins são todos iguais…”

Desde que se instalou a pandemia no reino canino anda tudo enfurecido: adiaram-se as vacinações contra a raiva e todos os indivíduos foram instruídos a modificar as regras dos contactos sociais agora restringidas a ladrar ao longe, evitando cheirar o cu uns dos outros.

Mefistófeles o gato assassino ouviu a sentença do juiz: “-condeno-o à morte com uma execução por dia, o que efectivará a pena ao fim de uma semana”.

Jovens irreverentes

A serpente Juliana tem um pérfido prazer: maçar os outros. Um dia entrou numa loja de tatuagens, ficou duas horas a escolher a figura que queria na pele e quando a serpente tatuadora perguntou onde era para fazer a tatuagem ela respondeu “pode ser no tornozelo”… 

No universo das tartarugas Bruno era o mais rebelde, tinha o vício de tocar às campainhas e fugir. Estranhamente nunca foi apanhado pela polícia, nem sequer alguma tartaruga chegou a tempo de ver quem lhe tocava à porta.

Ditos populares na cultura dos

Leões
Amigos, amigos, carcassas à parte.

Morcegos
Em terra de cegos quem tem sonar é só mais um.

Tubarões
Filho de peixe sabe a couvert.

Burros
Quando um burro fala os outros riem-se.

Gnus
Paga o estúpido para o predador.

Cobras

Diz-me como andas, dir-te-ei se tens pés.

Cães
Casota onde só há pão todos ladram e ninguém tem ração.
À noite todos os gatos são parvos.

Gatos
Os cães ladram e a bichana passa.

*Músico e embaixador do Plataforma

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