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Onde está o espírito Olímpico?

David ChanDavid Chan*

Os Jogos Olímpicos de Tóquio parecem ser a edição mais trágica de sempre deste evento. Com a pandemia a alastrar-se, quase todos os líderes mundiais faltaram à cerimónia de abertura. Devido à situação pandémica, muitos países anunciaram que não iriam participar no evento, para não juntar ao fardo da pandemia o peso da competição para os atletas. Porém, no primeiro dia dos jogos, após a cerimónia de abertura, aconteceu algo ainda mais trágico. O presidente norte-americano, Joe Biden, aproveitou-se do facto de o Japão estar a organizar os Jogos Olímpicos em sacrifício para lançar um conflito, quebrando o espírito de paz e unidade do evento. Deveria ser declarado um período de tréguas durante os jogos, mesmo em tempo de guerra, porém não houve essa preocupação. Ainda me lembro dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando a Geórgia, sob pressão dos EUA, entrou em guerra. O presidente russo, Vladimir Putin, que estava em Pequim para o evento, teve de voltar a Moscovo para controlar o conflito e enviar as tropas da Geórgia de volta para o seu território. Os EUA, mais uma vez, desafiaram as regras internacionais no dia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, voltando a atacar no Afeganistão. Segundo as forças militares americanas, foi a pedido das forças armadas afegãs. A Força Aérea dos EUA e a Força Aérea Indiana lançaram ataques sobre militantes talibãs no Afeganistão, matando mais de 300 membros deste grupo.  

Noticias recentes revelam que os ataques duraram vários dias, sendo que a maioria dos edifícios atingidos foram habitações, incluindo também escolas e hospitais. No entanto, as forças armadas afegãs afirmam que existiam forças talibãs escondidas no hospital atacado, e que não ocorreram ataques aéreos sobre habitações civis e escolas.  

Os EUA, após terem estado presentes no Afeganistão ao longo dos últimos 20 anos, estão de novo a bombardeá-los. Visto que a maioria das forças americanas já abandonaram o território afegão, estando as restantes a preparar-se para regressar, os EUA não temem as consequências. Os ataques também são motivados pelo descontentamento no seu país, devido à derrota no Afeganistão. Para além disso, com a saída das tropas americanas, a Índia, Turquia e até o Irão – grande inimigo dos EUA -, ficaram ansiosos por se juntar ao conflito, obrigando a que as forças americanas voltassem a atacar tropas talibãs. Apesar dos EUA se terem antecipado à Índia e à Turquia nesta ação no Afeganistão, a situação continua desastrosa, com os talibãs a ocupar várias cidades importantes do país, causando grandes dores de cabeça aos EUA. Para além disso, a realização deste tipo de ataque aéreo de grande dimensão durante os Jogos Olímpicos levou a que o país fosse alvo de várias críticas internacionais por manchar o espírito olímpico.  

*Editor senior do PLATAFORMA

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