Silly Season - Capítulo 3

Silly Season – Capítulo 3

Humanos vs Animais

Tomás, o pequeno caracol, despertou no beco fascinado pela luz que vinha do fundo, dispondo-se à árdua tarefa de percorrer a viela para pôr os corninhos ao sol. Demorou todo o dia na travessia, quando chegou à rua principal já o sol se pusera e foi acidentalmente esmagado por um transeunte… Por muito radioso que pareça o teu destino, aproveita bem o caminho.

É curiosa a obsessão dos humanos pela praia. Os golfinhos, por exemplo, se pudessem só iam de férias para o campo.

Por mais que um sapo se esconda a comer atrás de um guardanapo, sempre haverá uma criancinha bisbilhoteira que não só o detecta como canta a sua descoberta aos quatro ventos.

Não conheço nenhum país com o nome do corajoso leão, do valente tigre ou da magnífica pantera. Já o pouco glamouroso peru é homenageado em dois, Peru em português e Turkey em inglês.

Pessoas que vivem enfiadas na lógica dos seus mundos pessoais. Quando estou na esplanada e alguém se aproxima com um cão minúsculo a latir estridentemente, as donas têm a mania de dizer “ah, ele não faz mal nenhum” inconscientes de que eu responda “pois não, eu é que posso fazer mal a ele”.

Descobriu-se nos evangelhos apócrifos que Deus mandou Noé construir não uma mas duas arcas. Conforme as indicações divinas Noé construiu a segunda com ramos de papiro e colocou lá os casais de unicórnios, pégasos, grifos e dragões. 

Podemos nunca chegar a saber quais as reais características de um Tyrannosaurus Rex, porém a comunidade científica está definitivamente convencida de que seria impossível ele masturbar-se. 

Perante a foto de pegadas de galinha em cimento fresco, no ano 150 milhões depois de Cristo no canal História, o debate entre o teórico da conspiração Alex Tsokoulos e o arqueólogo clássico Steve Carter atinge o pico. Alex: “-as pegadas simplesmente não deviam estar ali! Esta é a prova de que o Homem e as galinhas foram contemporâneos”. Steve: “-por muito que queiramos acreditar nessa ideia absurda, estamos perante uma falsificação, e muito má, devo dizê-lo”.

Ao fim de anos de processos e recursos em tribunais finalmente Dona Chica foi condenada a pagar uma elevada indemnização ao dono do gato a quem atirou um pau a matar.

Efeito borboleta: uma borboleta bateu as asas no Japão e José Castelo Branco deu um peido no elevador.

Era um cachorrinho tão inteligente que sempre que o dono dizia “dá a patinha”, ele desatarraxava a prótese com a boquita e colocava-a gentilmente na mão do dono.

Enquanto Santo António debitava o seu sermão, uma pescada comenta com outra: “-percebes alguma coisa do que ele está a dizer?” Responde a segunda: “-não, mas finge-te atenta que isto é para um livro, um filme ou lá o que é…”

Ver uma foca a fazer habilidades com uma bola lembra-me a apresentação de um futebolista num novo clube.

No jardim zoológico:
– Pai, estas serpentes são venenosas?
– Não filha, podem-se comer.

Ficar a admirar uma selfie é mais que uma cópula consigo próprio, é igual a uma ameba (um organismo unicelular) pôr-se a admirar a ameba que resultou da sua duplicação.

Se a evolução das espécies tivesse provido as pombas de tetas e as vacas de asas, hoje os humanos misturavam leite de pomba nos cereais e as auto lavagens de carros eram o negócio mais rentável do planeta.

Senhor de um peculiar sentido de humor, quando Michelangelo faleceu o seu espólio foi confiscado pela Igreja Católica que imediatamente mandou destruir um quadro considerado um anátema: era uma pintura do seu animal de estimação, a cadela Sistina.

Dois mosquitos esvoaçam à noite no meio da estrada e diz um: “-larga, deixa-me ir em direcção à luz, é liinda”. Diz o outro: “-não, não te deixes levar, é mentira, vais morr…” O segundo tinha razão, acabaram os dois esmagados na grelha frontal de um Ford Focus.

Contrariamente à crença popular, a extinção dos camaleões do Ártico não se deveu à ausência de produção do pigmento branco mas sim à língua presa no gelo.

Rosmaninho, um bravo touro de 435kg recusava-se a sair do curro para entrar na arena. Mandaram campinos picá-lo, tentaram trinta por uma linha, e nada. A multidão assobiava ansiosa de sangue quando o seu tratador resolve ir convencê-lo. Resposta do Rosmaninho: “-já disse, só saio daqui com um seguro de vida a favor das minhas vacas num mínimo de 5000€ de indemnização para cada uma. Não há dinheiro, não há palhaços.”

Lassie salva vidas, Laika viajou pelo espaço, o inspector Max apanha criminosos, e o meu gato julga que merece uma medalha por fazer cocó na sua caixa de areia.

Iam dois cavalos a passear tranquilamente quando um olha para o outro e assusta-se: 
“-Eh pá cuidado, tens aí um bicho!”
“-Onde, onde?” – relincha o outro em pânico.
“-Nas tuas costas!”
O segundo desata a espernear no ar, estoura em fuga, e foi assim que José Bernardo Silva, cabo a cavalo da GNR do Montijo faleceu, com o pescoço partido.

Se o apocalipse se der no Inverno talvez as baratas não sejam os únicos animais sobreviventes. Quando chegar o calor logo aparecem os ursos.

12 segundos. Dentro do aquário do restaurante um peixe vê uma travessa de carapaus numa mesa e diz a outro: (1) -Ena pá, olha (2) será que aqueles tipos (3) ali fora estão mortos? (4)-O quê? Onde? (5) -Ali! (6)… (7) -Sim, oh meu Deus! (8)… (9) -Ena pá, olha (10) será que aqueles tipos (11) ali fora estão mortos? (12)-O quê? Onde?

Como hipopótamo significa cavalo do rio estou mesmo a ver que um dia nas redes sociais os brasileiros vão acusar os portugueses de terem extinguido os hipopótamos da região carioca.

Contra a corrente. No universo dos talk-shows sensacionalistas caninos, Blondi, a cadela de Hitler passou o resto da vida a ir explicar como o seu dono era um amor para ela e não ligava puto a Eva Braun. Já Singh, a cadela de Madre Teresa de Calcutá passou o tempo a queixar-se da atenção que esta dava aos humanos, não lhe dedicando um minuto que fosse.

A lata de conserva é o sarcófago do atum.

Novelos de lã, as presas naturais do gato doméstico.

Tudo tem um preço: não há rosa sem espinhos nem sardinha sem espinhas.

Ainda falam da presunção de inocência de Salgado, Sócrates, Luis Filipe Vieira… A orca assassina só pelo nome foi condenada antes de ser julgada.

As espécies estão interligadas num delicado equilíbrio. Se os humanos desaparecessem da Terra os chihuahuas desapareceriam de seguida porque se finava o seu propósito que é ladrar às pessoas.

Quando o filho ansioso entre escolher a via de ciências ou humanidades pediu ao pai budista um conselho, este disse para ele não se preocupar e deu o exemplo dos anfíbios: ao fim de milhões de anos de evolução ainda não decidiram se preferem morar em terra ou na água.

Sempre que se lastimarem por a vida vos ser difícil lembrem-se de Hélia, a coruja stand up comedian que nunca conseguiu arrancar um sorriso da plateia de corujas, de Flávia, a hiena fadista que nenhuma hiena alguma vez levou a sério, e de Nero, o gato que ao fim de 5 segundos no seu posto de trabalho como controlador aéreo já se estava a cagar para o ecrã, provocando a maior sequência de desastres aéreos de que há memória.

Melhoramentos:
A lebre é um coelho GT.
As varejeiras são moscas tunning. 
O gorila é um macaco com esteróides.
O touro é um boi do show biz.
O pavão é um frango vedeta de cabaret.
As sapateiras são os piolhos dos ricos.

Após esborrachar uma barata. 
Cara barata: para mim a sua vida não vale um chavo 
E quando desbaratou o cuidado 
Pagou o preço mais elevado. 
Não se tratou de uma vingança, 
(Nem a conhecia pessoalmente)
Foi tão só a cobrança
P’lo nojo que causa à minha gente. 
Não pretendi fazer do seu drama uma chalaça, 
Mas pisá-la, cara barata, 
Não custou nada, foi de graça.

*Músico e embaixador do Plataforma

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