Doze Golfinhos dão à costa em Zhejiang

Doze Golfinhos dão à costa em Zhejiang

Na passada terça-feira (dia 6), deram à costa 12 golfinhos-cabeça-de-melão na praia Baiyang do porto Toumen, em Taizhou, na província de Zhejiang. Após tentativa de salvamento, três dos golfinhos acabaram por morrer devido ao longo período de tempo que passaram na praia. Apesar do infortúnio, oito foram devolvidos ao mar, e um continua sob observação. Viena Mak, vice-presidente da Sociedade de Conservação de Golfinhos de Hong Kong, partilha com o Plataforma que estes golfinhos podem ter dado à costa devido a má navegação, e é necessário ter em consideração o seu estado de saúde para a escolha do método de resgate utilizado.

Segundo a informação relatada pela agência Xinhua, a equipa de salvamento utilizou gelo para baixar a temperatura corporal dos animais, cobrindo-os constantemente com água para não sufocarem na areia. Foram ainda utilizadas gruas e macas. Mais de uma dezena de profissionais transportaram os golfinhos até às macas, que foram levadas pelas gruas até ao porto, de modo a transportar os animais para um local seguro. Durante o salvamento, a equipa tentou ainda soltar um dos golfinhos em alto mar, mas este acabou por regressar à costa.

Uma corrida contra o tempo

Viena Mak afirma que existem vários estudos ligados aos golfinhos-cabeça-de-melão, e que há varios registos do seu comportamento. É um animal social, que vive em águas profundas, sendo provável que, neste caso específico, tenham chegado à costa por se terem perdido, ou porque um dos animais do grupo adoeceu, e os restantes seguiram-no até à praia. Durante a maré baixa existe uma maior probabilidade destes animais virem dar à costa. “O método de salvamento deve estar de acordo com a situação de saúde do animal, não deve ser aleatório”, afirma.

A vice-presidente salienta que uma das principais razões para estes acidentes é o adoecimento dos animais. Nestas situações, caso algum cidadão tente empurrar o animal de volta para a água sem qualquer avaliação profissional, poderá haver consequências maiores para o restante biossistema marítimo, existindo o risco de propagação de doenças infecciosas. A mesma acrescenta: “Quanto mais tempo um golfinho fica fora da água, menor é a sua probabilidade de sobreviver. É uma corrida contra o tempo, damos prioridade aos golfinhos mais novos, com maior probabilidade de sobrevivência. Por vezes, quando os recursos o permitem, é possível monitorizar estes animais, que acabam ainda por dar à costa no espaço de 24 horas depois de terem sido devolvidos ao mar.”

As macas utilizadas no salvamento de golfinhos são especiais, com duas aberturas laterais para evitar magoar as barbatanas dos animais. Durante a viagem a equipa de salvamento usou também vaselina para manter a pele dos animais hidratada, e pomada nos ferimentos.

Avaliação da condição física dos animais antes do salvamento

Viena Mak afirma que é necessário um plano claro nestas situações: “Nos piores casos, chega-se à conclusão de que não existe possibilidade de salvar o animal. O transporte e a manutenção do animal em cativeiro pode agravar a sua condição.” Segundo a especialista, a eutanásia pode reduzir o sofrimento dos golfinhos caso o seu estado de saúde seja extremamente grave.

A Sociedade de Conservação de Golfinhos de Hong Kong publicou um documento com métodos de salvamento de golfinhos utilizados noutras partes do mundo. Na Nova Zelândia não existe infraestruturas para alojar golfinhos, os animais são deixados a seu próprio cuidado na natureza, sem intervenção em casos de doença. Quando algum dá à costa, o animal é submetido à eutanásia ou devolvido ao mar, de acordo com o seu estado físico.

No Reino Unido também não existem instalações de reabilitação para estes animais. Normalmente tentam tratar os animais na própria costa, com administração de antibióticos, por exemplo. Caso o tratamento se prove insuficiente, os animais são então submetidos à eutanásia.

Na Holanda, as equipas de salvamento desinfetam os ferimentos dos animais na costa e avaliam a sua gravidade, analisando se algum órgão interno foi ferido. Caso os ferimentos sejam extremamente graves, o animal é submetido à eutanásia.

Entre estes métodos utilizados por vários países, não existe nenhuma norma estabelecida para uso geral, cada salvamento deve variar conforme a situação específica.

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