Dieta Vegana: O passo final para ajudar a melhorar o aquecimento global - Plataforma Media

Dieta Vegana: O passo final para ajudar a melhorar o aquecimento global

À medida que a pandemia de Covid-19 se desenvolve, os seres humanos deparam-se com a frustração causada pela doença. Se alguém ainda se lembra do que aprendeu nas aulas sobre o aquecimento global: um grande surto pode ser uma das consequências do aquecimento global.

Além do degelo que, cada vez mais, causa uma subida geral nos níveis dos oceanos, secas e inundações, calor extremo e, consequentemente, catástrofes que sucedem com frequência, como temos observado, o surto de doenças é também parte das consequências horríveis que se revelam fatais e que afetam não só os seres humanos como também todo o ecossistema.

O que se pode fazer para salvar a Terra ou, por outras palavras, a nós mesmos? Certamente que a redução dos gases com efeito de estufa é a abordagem direta, apesar de sentirmos ser impossível diminuir os nossos padrões de vida para sermos amigos do ambiente. Não haverá nenhum método mais fácil do que causar alvoroço sempre que haja uma fuga de água de esgoto a fim de evitar o uso de sacos de plástico, ou desligar o ar-condicionado no calor do verão quente mesmo sendo levado quase à loucura pelo suor ininterrupto? Ou apanhar um autocarro para poupar combustíveis fósseis mesmo que se tenha carro?

A verdade é que, mesmo sem combustíveis fósseis, vamos exceder o limite de 565 giga toneladas de CO2 e até 2030, todos provenientes da criação de animais. A agricultura animal é responsável por 18% das emissões de gases de efeito estufa, mais do que o combinado de todos os transportes. O gado e os seus subprodutos são responsáveis por, pelo menos, 32.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, ou 51% de todas as emissões mundiais de gases com efeito de estufa; as emissões de metano dos E.U.A. de gado e gás natural são quase iguais, e o metano tem um potencial de aquecimento global 86 vezes mais alto que o de CO2 num prazo de 20 anos; O gado é responsável por 65% de todas as emissões humanas de óxido nitroso – um gás de efeito estufa com 296 vezes o potencial de aquecimento global do dióxido de carbono, e que permanece na atmosfera por 150 anos.

“O quê? É totalmente absurdo que uma dieta vegetariana possa ajudar a reduzir o efeito estufa.” Esta foi a resposta de um amigo da minha irmã quando ela lançou o tema. O indivíduo em causa prepara-se para obter um diploma em Proteção Ambiental porque se interessa pela proteção do planeta. Se um amante da natureza não estabelece a relação entre o veganismo e o meio-ambiente, então não se espere que qualquer cidadão comum tenha esse conhecimento.

Penso ser realmente urgente e essencial a promoção do veganismo como um estilo de vida que se reflete na proteção ambiental à escala mundial. Não é demasiado tarde para começar a mudar a nossa dieta, mas vai ser MUITO EM BREVE.

A agricultura animal é responsável por 91% da destruição da floresta tropical da Amazónia. A produção de oxigénio e a redução do efeito de estufa são princípios que têm sido ignorados para que a agricultura animal produza a carne que comemos. A Amazónia é o maior “pulmão” do planeta Terra. Não seremos demasiado egoístas se apenas pensamos na satisfação das nossas papilas gustativas?

Há dez mil anos, 99% da biomassa eram animais selvagens. Hoje, os humanos e os animais que criamos como alimentos compõem 98%; em 1,5 acres pode-se cultivar cerca de 16,782 quilos de alimentos à base de plantas, mas os mesmos 1,5 acres só podem produzir 170 quilos de carne bovina. É evidente que desperdiçamos muitos dos alimentos que poderiam ser diretamente consumidos pelos seres humanos na indústria animal. Além de que, quando comemos animais em vez de plantas, a nossa energia já vem em segunda mão.

Para reforçar este ponto, gasta-se imensa energia no transporte dos alimentos para estes animais. Importante dizer que a agricultura animal é a atual responsável por cerca de 20% a 33% de todo o consumo de água doce no mundo; até 137 espécies de plantas, animais e insetos são perdidos todos os dias devido à destruição causada pela pecuária e os alimentos destinados aos animais.

Cultivamos alimentos suficientes para alimentar cerca de 10 mil milhões de pessoas. A nossa população mundial é de 7,8 mil milhões. 82% das crianças famintas vivem em países onde a comida é dada aos animais que são depois consumidos pelos países mais ricos.

Uma pessoa que segue uma dieta vegana produz 50% menos dióxido de carbono, usa 1/11 de óleo, 1/13 da água e 1/18 do solo em comparação com alguém que tenha carne na sua dieta. E se esta parece ser a informação mais inacreditável sobre a proteção ambiental que já aprendeu, verifique mais em www.cowspiracy.com.

Espero que quando as pessoas forem finalmente confrontadas com as consequências que produzimos em conjunto, esta solução seja considerada para salvar a Terra…oops…quero dizer, nós mesmos.

*Membro da Associação da Cultura Vegetariana em Macau

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