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Estratégia de Biden para a China começa a tomar forma

David ChanDavid Chan*

Mais de um mês depois de assumir a presidência, o estilo do governo de Biden, tanto a nível nacional como internacional, começa a ganhar forma.

Os desafios que os EUA enfrentam de momento, assim como a mudança na forma como o Partido Democrático aborda assuntos globais, levam a que a política externa do governo de Biden assuma uma direção claramente nacional.

O presidente está perfeitamente ciente da crise que o país enfrenta neste momento e de todos os desafios de administração que a anterior fragmentação da política americana deixou. Ainda mais, tendo em conta que milhares de americanos continuam a questionar a legitimidade da presidência.

No chamado “mundo dos operários”, como poderá responder às necessidades da população, especialmente quando as aspirações de economia e segurança da classe média e baixa são as principais preocupações? Biden tem cumprido as promessas de campanha, incluindo a proteção futura de produtos americanos e da população do país, porém, ao longo dos próximos anos o governo irá trabalhar para encontrar um equilíbrio entre políticas nacionais e internacionais, parte essencial da definição da estratégia externa do país.

No discurso inaugural, Biden recordou a ideia de grandeza americana e do país como líder mundial. O destaque dado aos valores americanos, democracia e questões de direitos humanos são já um elemento essencial da política externa de vários governos dos EUA, e Biden não quebra a tradição.

Para ele, o declínio da democracia no resto do mundo representa uma grande ameaça à segurança nacional americana, por isso enfatizou o poder dos EUA e a necessidade de o país ser um exemplo no fortalecimento da base democrática, um guia para outros países na redescoberta do “ocidente”.

Em comparação com o grande jogo de poderes promovido pelo governo de Trump, Biden parece mais focado em lidar com a competição com a China a longo prazo, ajustando os recursos investidos em defesa conforme as necessidades futuras. Consequentemente, direciona mais recursos para a ciência e tecnologia, como é possível verificar pela decisão de oferecer ao Diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca o estatuto de membro do Gabinete. Vários membros do governo de Biden têm deixado bastante claro que “a China é o maior rival dos EUA”, mas é importante continuar a prestar atenção a outros sinais importantes para a futura direção da política chinesa deste novo presidente.

O grande desafio para a China agora é lidar com a estratégia de poder de Biden de uma forma inteligente, procurando formas de competir com o país, gerindo o risco de conflito a curto-prazo.

*Editor Senior

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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