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Ter pressa

Macau adotou uma posição conservadora na certificação das vacinas contra a Covid-19.

Tendo controlado a pandemia, fechando fronteiras, entenderam as autoridades que o ocidente correu o risco da certificação urgente por força de uma dinâmica de crescimento viral que Macau não enfrenta. Compreende-se. Mas há outro sentido de urgência, que é o da reposição do nível de vida: mobilidade; estabilidade individual e coletiva, recuperação económica…

É evidente que a vacina chinesa tem de ser reconhecida em Macau, como é natural que seja distribuída de forma massiva – gratuita e voluntária. Não há razões objetivas para desconfiar do processo científico chinês, ainda por cima mais conservador na exigência de certificação. Contudo, faz também parte da cultura de Macau consumir marcas globais, com selo ocidental. A dúvida é a de saber-se se haverá outras vacinas – no limite, com custos – para a opção livre e esclarecida de cada cidadão. Essa é a lógica da autonomia. E importa dar a todos e cada um motivos para que decidam vacinar-se. A promoção da imunidade é hoje a melhor defesa contra a pandemia; a celeridade e diversidade no acesso às vacinas contribui positivamente para essa luta.

O sucesso no controlo da pandemia, num contexto de reservas financeiras, deixou os responsáveis políticos numa zona de conforto, retirando a Macau o sentido de urgência que hoje comanda quase todo mundo. Mas há muito a recuperar. E cada dia que passa mais pessoas, empresas, e comunidades enfrentam maior fragilidade.

Nesta altura, fazer bem é também imunizar no primeiro dia em que for possível – e não no último; tendo a consciência de que Macau precisa urgentemente de tudo o resto: novo ciclo político, recuperação económica – mais regional, digital, e sustentável… a uma nova identidade intercultural, foco das novas gerações.

*Diretor-Geral do Plataforma

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