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Pobres e mal agradecidos

Isabel MeirellesIsabel Meirelles*

O milagre português de combate à pandemia de Covid-19 em Portugal, precisou do auxílio da Alemanha que enviou para o nosso país oito efetivos do pessoal médico e 18 do de enfermagem que trazem também 40 ventiladores móveis e 10 estacionários, 150 bombas de infusão e outras tantas camas hospitalares.

Há, contudo, um dado estranho: a missão alemã, teve à sua espera 2 ministros, 3 generais, 2 embaixadores e enviam-na para o Hospital da Luz, instituição privada?

Sim porque este governo é de esquerda, está à esquerda, odeia os privados, mas quer manter a farsa de que, apesar do pedido de ajuda, somos um exemplo para a Europa.

Isto porque os alemães iriam ficar aterrorizados se fossem para o Hospital de S. José ou para certas alas do Santa Maria, como os pré-fabricados, pelo que se teve de fazer mais esta encenação lastimável para evitar uma imagem terceiro mundista.

E pior! Não houve um agradecimento audível, mas apenas murmurado e quase envergonhado pelos Ministros da Saúde e da Defesa, à chegada do contingente alemão, nem, posteriormente, por parte do Primeiro-Ministro, nem que eu tenha conhecimento por parte do Presidente da República, para sublinhar com vigor o reconhecimento da ajuda germânica.

Ao contrário do Governo o Partido Social Democrata (PSD) é reconhecido e grato. Por isso, saúda a chegada a Portugal dos profissionais de saúde alemães e de equipamento hospitalar.

Num momento em que Portugal atravessa uma fase crítica no combate à pandemia de covid-19, a vinda de uma comitiva médica militar da Alemanha constitui um gesto de uma solidariedade fraterna a toda a prova.

No semestre em que Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia, o auxílio da missão alemã é a prova viva de que a fraternidade europeia não é um mero conceito teórico dos tratados, mas consubstancia-se em exemplos concretos.

A União Europeia radica na moral kantiana, da comunidade humana entre Estados soberanos, que comungam os mesmos valores e princípios. É a cláusula de solidariedade também a funcionar, dos Estados que agem conjuntamente e que prestam auxílio a um país da União Europeia que vê o seu sistema de saúde a atingir o ponto de exaustão e o limite na capacidade de resposta.

O PSD estende ainda um agradecimento franco, aberto e inequívoco a todos os Estados europeus que já manifestaram idêntica vontade de prestar ajuda a Portugal no atual contexto de terrível crise sanitária. Todos gestos de solidariedade tornam mais forte o projeto europeu.

O PSD agradece penhoradamente ao povo alemão, ao Presidente da República Federal da Alemanha, à sua Chanceler, assim como ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Saúde germânicos a cooperação que está a ser prestada ao Serviço Nacional de Saúde.

Era este tipo de declaração que o Governo e os partidos da geringonça deviam ter feito, mas já percebemos que se não são pobres, são certamente muito mal-agradecidos!

*Deputada e Vice-Presidente do PSD

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