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O primeiro ano dos artistas de circo fora do chapitô

Céu Neves

Há 30 companhias circenses no país – 200 artistas – e 90% estão paradas. Culpa das restrições da pandemia e das câmaras que não deram as licenças. Nesta consoada, muito poucas comeram “as batatas na pista”.

Cláudio e Rui nasceram, cresceram, tiveram os filhos e, até netos, no circo. Representam décadas de tradição nas artes circenses. Cláudio vai na oitava geração da família Torralvo e Rui, na quinta geração dos Mariani. Companhias com mais de 20 anos a percorrer o país e a assentar arraiais nas principais cidades no Natal e no Ano Novo, com um cartaz mais forte porque é quando se ganha dinheiro para o ano inteiro. Só não trabalhavam na noite de consoada, quando toda a companhia se juntava no meio da pista do chapitô para partilhar a mesa e as histórias. Nesta quinta-feira não se cumpriu a tradição, a pandemia obrigou-os a parar. A maioria dos artistas de circo não trabalhou nesta quadra pela primeira vez na vida.

“É muito triste. A salvação do circo é o Natal e o Ano Novo, chegamos a fazer cinco espetáculos por dia. Contratava sempre artistas para ter um espetáculo forte, uma coisa bonita, melhor, para o Natal. Na consoada, colocávamos as mesas na pista, juntavam-se todas as famílias, 60 a 70 pessoas, e cada um trazia algo para comer. Alguém se vestia de Pai Natal, vinha num trenó e distribuía as prendas pelas crianças. Neste ano, passámos só com a minha família próxima, um de nós vestiu-se de Pai Natal, mas não é a mesma coisa. É uma tristeza”, emociona-se Cláudio Torralvo, 47 anos, oito filhos entre os 27 e os 4 anos, todos artistas de circo.

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