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Um mundo que não espera por Joe Biden

Nuno CarvalhoNuno Carvalho*
Nuno carvalho

A crise sanitária gerada pela COVI-19 é mais um fator de pressão sobre o mundo, mas seguramente não é o único. O desequilíbrio entre os principais blocos mundiais económicos, militares e tecnológicos pode desfavorecer o papel dos EUA no mundo. Ou eventualmente adequar o papel dos EUA caso o presidente eleito, Joe Biden, não queira um papel relevante para o seu país.

Mas é com toda a certeza que Joe Biden terá que lidar com um mundo em mudança.

Primeiro a mudança que é provocada pelas ambições da China, gerando tensões especialmente com efeitos económicos e tecnológicos. E num contexto que a China põe em ação o seu “Plano Marshal” alavancando um forte investimento em vários zonas do globo, gerando maior proximidade com vários países, mas também transferindo uma eventual dependência económica para o “bloco chinês”.

O mundo não esperará por Joe Biden, com tantos problemas internos no EUA veremos quando é que ele irá olhar para o mundo e como o encontrará se demorar muito tempo a fazê-lo

A evolução tecnológica é outra mudança no mundo traz consigo a necessidade de novas matérias primas. Os vastos recursos de terras-raras em território chinês acentuarão uma posição cada vez mais dominante da China. Por esse motivo as “contendas” sobre o 5G não são o único vértice que dão acesso à “pole position” da corrida tecnológica.

Por outro lado, os EUA têm um dos principais ativos do mundo: o USD, o “dólar americano”. Contudo, apesar de cerca de 25,5 mil milhões de dívida em USD dos países mais pobres, não se sabe o que os EUA farão, ou se conseguirão fazer alguma coisa para manter a predominância do dólar. O USD pode subir e “arrasar” ainda mais as economias mais pobres, ou descer e aliviar a fatura. Contudo Joe Biden só terá margem para “olhar” para este problema se conseguir resolver a “gigantesca” dívida interna nos EUA fruto do choque pandémico.

Os conflitos militares ativos e emergentes existirão apesar dos EUA. Mas todos os conflitos militares que terminarem sem se sentir a presença (ainda que seja só diplomática) do “polícia do mundo” alterarão o papel dos EUA e muito provavelmente a forma como as relações internacionais funcionam.

A administração de Donald Trump era muitas vezes acusada de provocar conflitos. Contudo um mundo em mudança gera tensões e consequentemente pode gerar conflitos, ainda que não sejam militares podem ser culturais, económicos e tecnológicos. Mudar de presidente nos EUA não significa mudar o mundo, os problemas com que Donald Trump teve que lidar, serão os mesmos que estão à espera de Joe Biden.

A grande expectativa é a forma como Joe Biden irá olhar e relacionar-se com o mundo. Mas é inegável que os EUA já não assumem o mesmo papel, eventualmente por vontade própria, mas também pelas alterações globais que assistimos.

O mundo não esperará por Joe Biden, com tantos problemas internos no EUA veremos quando é que ele irá olhar para o mundo e como o encontrará se demorar muito tempo a fazê-lo.

*Coordenador GPPSD na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, deputado do Partido Social-Democrata (PSD) – Portugal

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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