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Carros elétricos ainda não são prioridade em Macau

O interesse pelos carros elétricos tem crescido a nível mundial e também localmente. Os residentes de Macau têm adquirido este produto de “luxo” ecológico e beneficiado de todas as vantagens inerentes. Porém, muitos queixam-se da falta de estações (postos) de carregamento de baterias na cidade. Vários comentadores que têm assistido ao desenvolvimento da indústria ao longo da última década apelam para que o Governo promova a cooperação público-privada neste setor.  

As medidas oficiais de incentivo à aquisição de veículos elétricos estabelecem, para já, que estes estão isentos do pagamento dos impostos, automóvel e de circulação desde que adquiridos em Macau. A estes benefícios fiscais junta-se o carregamento das baterias, também livre de custos. Porém o número de utilizadores continua baixo. Rocky Ho, fundador da Techtalk, empresa dedicada em trazer novos produtos tecnológicos ao mercado e com interesse na indústria de veículos elétricos, acredita que estas isenções fiscais são bons incentivos para a promoção destes veículos, mas não são suficientemente publicitadas. O simples argumento de que com a troca de veículo os residentes estão a ajudar o ambiente e a reduzir as emissões de carbono não resulta em Macau, afirma. 

Salienta que a cidade apenas mais recentemente começou a ver um crescimento no mercado de veículos elétricos, influenciado não só pelo aumento do número de estações de carregamento, como também pela imagem de várias marcas de carros elétricos. “Mesmo que existam opções baratas e práticas de carros elétricos, para os residentes de Macau não é algo necessário”, diz.  

James Si Tou, que passou os últimos quatro anos a conduzir um automóvel a gasolina trocou-o em fevereiro passado por um elétrico, confirma a opinião de Rocky Ho. A proteção ambiental não foi a principal razão da compra. “Nós, jovens, o que procuramos é algo elegante, popular e tecnologicamente avançado”, explica, reconhecendo que atualmente os postos de carregamento em parques de estacionamento e nas ruas dão resposta às necessidades, e salientando ainda o baixo custo. 

Todavia, a Companhia de Eletricidade de Macau (CEM), responsável pela criação destas estações de carregamento, tem sido criticada por vários utilizadores pela falta de qualidade que apresentam. James Si Tou vive na zona do Parque Central da Taipa e afirma que ainda há espaço para evolução no equipamento de carregamento e utilização da aplicação móvel, tal como no design dos lugares de estacionamento. “Fui ao Parque Central várias vezes para utilizar o posto de carregamento no segundo andar, mas devido ao sinal fraco no parque de estacionamento, não consegui fazer scan ao código QR para proceder à carga da bateria. Acaba por se tornar num posto inútil, e tive de procurar uma alternativa para carregamento na rua. Por vezes a própria aplicação também tem problemas e não consigo carregar o carro”, assinala.

Nos últimos anos vários países europeus têm executado medidas de restrição de venda de carros movidos a combustíveis fósseis. Também Hong Kong avançou com várias políticas de benefícios fiscais para a promoção do uso de veículos elétricos por particulares e empresas, e até criou um Fundo de Transportes a Novas Energias para incentivar o setor de transportes e organizações sem fins lucrativos a experimentarem o uso de veículos comerciais elétricos. Neste momento a maioria das estações de carregamento em Hong Kong são de uso gratuito, e algumas estações públicas, não governamentais, oferecem preços variados. O Governo de Hong Kong alocou 2 mil milhões de dólares para financiar a criação de infraestruturas de carregamento privadas. 

Até ao fim do mês de setembro, estavam em circulação em Hong Kong 16.759 veículos elétricos e disponíveis 3.219 estações de carregamento públicas. Entre estas, 625 são estações de carregamento rápido, com uma distância média de 10 quilómetros entre cada uma, segundo o Departamento de Proteção Ambiental. 

Zhuhai, outra cidade vizinha de Macau, concluiu agora a transição dos autocarros para apenas energia elétrica. Zhuhai relatou que até ao final de 2018 tinham sido criadas 59 estações de carregamento, com um total de 530 postos de carregamento, que juntamente com os originais 109 postos da Yinlong e do Grupo de Transportes Públicos da cidade conseguem dar resposta às necessidades locais. Entre os 2.498 autocarros de Zhuhai, 2.098 são movidos a novas energias. Excluindo os 400 veículos a energias renováveis para uso de emergência, Zhuhai possui 100 por cento dos respetivos transportes públicos movidos a energia elétrica. 

James Si Tou diz que mesmo que se se começar a pagar a utilização das estações de carregamento, não planeia construir um posto de carregamento no respetivo lugar de estacionamento. “Para mim as estações de carregamento públicas são bastante convenientes. Por exemplo, o tempo de carregamento quando vou jantar fora ao fim de semana é suficiente para me durar uma semana de trabalho.

Já Rocky Ho assinala que “o processo de candidatura para a criação de uma estação privada de carregamento também é bastante complicado”, salientando que Macau há muito que sofre de escassez de espaços de estacionamento, e por isso os residentes que não possuam um lugar reservado  não vão sequer considerar adquirir um carro elétrico. 

Ron Lam, presidente da Associação de Sinergia de Macau, considera que, com o “regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio”, em vigor desde 2018, os residentes que possuam lugares de estacionamento privativos podem requerer a instalação de um posto de carregamento desde que esta construção não afete a segurança do edifício ou os interesses de terceiros. 

Diz acreditar que apesar de o processo de candidatura ser complicado, muitos dos detentores destes veículos não têm conhecimento de que a lei está em vigor, nem as administrações estão conscientes de como a legislação funciona. Por isso espera que a Direção dos Serviços de Proteção Ambiental coopere com outros departamentos e desenvolvam, claramente, uma “regulamentação sobre instalação de postos de carregamento de veículos elétricos em espaços de estacionamento privados em edifícios” e simplifiquem o respetivo processo de candidatura. 

Levanta também a hipótese de virem a ser definidas algumas áreas em diferentes distritos, que designa como “cantos verdes”, nas quais serão promovidas medidas ecológicas, como a criação de estações de carregamento de bicicletas elétricas, pontos de reciclagem de baterias e venda de produtos a granel. 

“Desde que estes produtos ecológicos mantenham um sistema com base no mercado, o Governo não precisará de os subsidiar. Concordamos que não devemos apenas apoiar uma empresa específica, mas sim tornar este mercado de proteção ambiental mais rentável em Macau e fazê-lo crescer”, conclui.

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