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Apelo à OMS para incluir Taiwan na principal reunião anual

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfrenta apelos renovados para permitir que Taiwan participe numa importante reunião internacional, pois a sua exclusão pode prejudicar os esforços para conter a pandemia do novo coronavírus.

Muitas partes do mundo continuam a sofrer um aumento no número de infecções e mortes por Covid-19.

Em maio deste ano, a principal reunião anual da OMS foi interrompida e vai agora ser retomada na próxima semana mas, embora se espere que a Assembleia Mundial da Saúde (AMS) se concentre fortemente na coordenação internacional da resposta à pandemia, um ator internacional importante não estará presente.

Taiwan foi excluída da OMS e de várias outras organizações internacionais pela pressão que a China impôs, considerando que a ilha democrática de 23 milhões de habitantes faz parte do seu território.

No entanto, os críticos insistem que não há lógica nesta exclusão, dado que a ilha contabiliza apenas sete morte e menos de 600 infecções desde o início da pandemia, demonstrando o notável sucesso no combate à Covid-19.

A Associação Médica Mundial (WMA), uma confederação de associações médicas nacionais que juntas representam mais de 10 milhões de médicos, pediu na quinta-feira para a posição da OMS mude.

“A pandemia Covid-19 é a prova de que a cooperação para e com todos os sistemas de saúde no mundo é necessária”, disse o presidente da WMA, Frank Montgomery, numa carta aberta ao chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Acreditamos que seja cínico e contraproducente continuar a excluir os representantes da saúde de Taiwan de participar na Assembleia Mundial da Saúde.”

‘Uma grande lacuna’

A reunião da próxima semana ocorrerá num momento em que o novo coronavírus já causou a morte de mais de 1,2 milhões de pessoas e infetou mais de 48 milhões pelo mundo, desde que apareceu pela primeira vez na China, no ano passado.

Os Estados Unidos e outros países há muito que pedem à agência de saúde da ONU que pelo menos devolva a Taiwan o estatuto de observador do qual desfrutava até 2016, e os pedidos aumentaram no âmbito da pandemia de Covid-19.

Como a primeira parte da WHA de 2020 durou apenas dois dias, em vez das três semanas habituais, os membros concordaram em maio adiar a discussão da controversa questão de Taiwan até novembro.

Mais de uma dúzia de países, incluindo Belize, Guatemala, Ilhas Marshall e Honduras, propuseram discutir se permitirão que Taiwan participe como observador, mas ainda não está claro se a questão será permitida na agenda.

Taiwan e os seus aliados argumentam que a comunidade internacional teria muito a ganhar se integrasse a ilha na discussão. Também alertam que deixar Taiwan isolada, sem acesso direto à informação, pode ameaçar os esforços para conter a pandemia.

“Não podemos permitir uma lacuna no que diz respeito a esta pandemia, mas estamos a testemunhar uma grande lacuna”, disse à AFP na semana passada o embaixador de Taiwan em Genebra, Wang Liang-Yu.

O chefe da OMS, Tedros, disse que a participação de Taiwan só pode ser decidida pelos Estados membros com o consentimento do “governo relevante” – uma referência a Pequim.

Mas Wang insistiu que a OMS pode agir por conta própria, tendo a autoridade suficiente para convidar Taiwan como observador.

Taiwan – oficialmente a República da China – foi um membro fundador da OMS quando o órgão global de saúde foi criado em 1948.

Mas foi expulso em 1972, um ano depois de perder a cadeira “China” nas Nações Unidas para a República Popular da China.

Entre 2009 e 2016, Pequim permitiu que Taiwan participasse da WHA como observador sob o nome de “Taipei Chinês”.

Esse estatudo foi perdido com a eleição em Taiwan do presidente Tsai Ing-wen, que vê a ilha como uma nação independente e não concorda com a ideia de Pequim de que o território pertence à China.

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