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Banco Mundial prevê que economia timorense possa contrair até 10% este ano

A economia não petrolífera timorense poderá contrair quase 10% este ano, na previsão menos otimista do relatório do Banco Mundial, hoje divulgado, com um recuo mínimo de cerca de 7%.

“Um pacote de política de retoma económica deu algum apoio a famílias e empresas em Timor-Leste. Apesar disto não evitar a maior recessão desde a independência, a recente transição política constitui uma oportunidade para alcançar reformas estruturais muito necessárias”, referiu a instituição, nas previsões económicas para o Leste da Ásia e Pacífico (LAP).

Entre o grupo de países em desenvolvimento, e em qualquer dos cenários, Timor-Leste regista a terceira maior contração da região, abaixo das ilhas Fiji, onde a economia deverá cair pelo menos 21,7%, e da Tailândia, com um recuo de pelo menos 8,3%.

No relatório, Timor-Leste é agrupado nos países em desenvolvimento da LAP, que incluem Camboja, China, Indonesia, Laos, Malásia, Mongólia, Myanmar, Papua Nova Guiné, Filipinas, Tailândia, Vietname e os países-ilhas do Pacífico.

Sob o tema “Da contenção à recuperação”, o relatório do Banco Mundial (BM) sobre a região notou que aos efeitos da pandemia da covid-19 em si, juntaram-se “o impacto económico das medidas de contenção e as reverberações da recessão global”.

De acordo com as previsões, a região em conjunto deverá registar, este ano, um crescimento de apenas 0,9%, “a taxa mais baixa desde 1967”, um valor positivo que se deve à China, onde a economia deve crescer 2%, “impulsionada pela despesa pública, pelas exportações fortes e pela baixa taxa de novas infeções” da covid-19.

Já no resto do LAP, excluindo a China, a economia deverá contrair-se em 3,5% este ano, indicou o BM.

“Um choque” da pandemia que “não só está a manter as pessoas na pobreza, mas também a criar uma classe de ‘novos pobres’”, destacou.

“O número de pessoas que vivem em situação de pobreza na região deverá aumentar em 38 milhões em 2020 – incluindo 33 milhões que, de outra forma, teriam escapado à pobreza, e outros cinco milhões empurrados para a pobreza – usando um limiar de pobreza de 5,5 dólares [4,7 euros] por pessoa por dia”, salientou.

De referir que esse valor de pobreza está acima do salário mínimo em Timor-Leste que, apesar de não estar oficialmente fixado, ronda os 115 dólares (98,5 euros).

No caso de Timor-Leste, o BM indicou as quedas de receitas do poço petrolífero Bayu Undan, uma grande quebra na procura interna, com as importações a caírem 20%, uma redução de 7% nos gastos públicos, de 56% nos gastos em infraestruturas e de 16% em bens e serviços.

Sem os valores gastos na resposta à covid-19, a despesa pública teria caído 27%, sublinhou o relatório, que notou um aumento do crédito de 3%, sem efeitos adicionais na taxa de incumprimento.

A projeção é de quedas nas receitas não-petrolíferas “pelo quarto ano consecutivo”, uma descida de 4% no consumo privado, com as já baixas exportações a caírem para metade este ano.

As previsões do BM apontaram para uma recuperação da economia de Timor-Leste em 2021, com um crescimento de cerca de 3%, valor que contrasta com a média de 5% de crescimento na região, excluindo a China.

O BM sublinhou que a falta de um orçamento para este ano e o impacto das medidas de contenção no setor privado condicionaram o comportamento económico do país.

O relatório salientou que Timor-Leste, Myanmar e Cambodja são os únicos três países da região com um baixo risco de sobre-endividamento.

Em termos de saúde, a região sofreu menos com a pandemia que outras partes do mundo, tendo aplicado uma combinação de “restrições rigorosas de mobilidade, estratégias extensivas baseadas em testes e programas de informação para incentivar comportamentos de precaução”.

Porém, os esforços de contenção da propagação “conduziram a uma redução significativa da atividade económica”, com a produção regional a cair uma média de 4%, enquanto na China a redução foi de 1,8%, notou.

Ao mesmo tempo, as tentativas de relançamento da atividade económica interna não foram suficientes, porque a região “está fortemente dependente do resto do mundo”, sendo condicionada especialmente em setores como o turismo.

“Embora o capital de curto prazo tenha regressado à região, a incerteza global continua a inibir o investimento nacional e estrangeiro. A capacidade de Governos financeiramente pressionados estimularem as economias também é limitada”, referiu.

Uma situação que se deverá inverter em 2021, quando se prevê um crescimento de 5,1% na região, com a China a crescer 7,9%, “com base no pressuposto da continuação da recuperação e normalização da atividade nas principais economias, associada à possível chegada de uma vacina”, adiantou.

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