A plataforma, conhecida como mBridge, é apoiada pelos bancos centrais da China continental, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Segundo o jornal britânico, será criada uma entidade sediada em Hong Kong para supervisionar as operações.
Fontes citadas pelo FT indicaram que os preparativos estão numa fase avançada, embora a data de lançamento ainda não tenha sido divulgada. As mesmas fontes afirmaram que os custos das transações deverão ser cerca de metade dos cobrados pelos sistemas internacionais convencionais.
O projeto pretende oferecer uma alternativa a pequenas e médias empresas que consideram sistemas como o Swift demasiado caros ou complexos para operações internacionais.
O desenvolvimento da plataforma coincide com um aumento da utilização do sistema chinês de pagamentos transfronteiriços na moeda chinesa, o yuan, conhecido como CIPS, impulsionado pela guerra entre o Irão e os Estados Unidos.
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Embora complementares, os dois sistemas têm funções distintas: o CIPS facilita pagamentos internacionais em yuan convencional, enquanto o mBridge foi concebido para promover a utilização do yuan digital, conhecido como e-CNY.
“Há uma corrida silenciosa entre sistemas financeiros alternativos”, afirmou Tom Keatinge, diretor fundador do Centro para Finanças e Segurança do instituto britânico RUSI, citado pelo FT.
Segundo o especialista, a China pretende garantir um papel relevante para a sua moeda digital no sistema financeiro internacional através de plataformas como o mBridge. “Pode dizer-se que é uma versão digital da Nova Rota da Seda”, afirmou.
O projeto teve origem numa iniciativa conjunta entre a Autoridade Monetária de Hong Kong e o Banco da Tailândia, tendo assumido a designação atual em 2021, com a participação do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e dos bancos centrais da China, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong.
Desde o início, o sistema tem sido alvo de escrutínio político devido a preocupações de que possa permitir a alguns países ou entidades contornar o sistema financeiro dominado pelo dólar e escapar a sanções internacionais.
O BIS transferiu a gestão do projeto para os parceiros participantes em 2024. O Financial Times noticiou anteriormente que a decisão resultou de pressões de Washington, embora o então diretor-geral da instituição, Agustín Carstens, tenha negado essa versão.
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Segundo o FT, o mBridge utiliza tecnologia ‘blockchain’ para permitir transações diretas entre bancos centrais através das respetivas moedas digitais, reduzindo o papel do dólar como moeda intermediária e diminuindo para segundos operações cambiais que atualmente podem demorar horas ou dias.
Fontes ligadas ao projeto indicaram que bancos comerciais poderão participar nas operações sob supervisão dos respetivos bancos centrais. Até ao momento, o sistema processou cerca de 470 mil milhões de yuan (cerca de 59 mil milhões de euros) em transações.
Analistas citados pelo jornal consideram que o mBridge poderá reforçar a posição da China no comércio internacional e aprofundar a integração financeira com parceiros regionais.
“Para os exportadores, acelera a circulação de caixa e reduz o risco de problemas de liquidez”, afirmou Wang Jian, analista do setor financeiro da Guosen Securities.
“De forma mais ampla, pode reforçar a voz da China na ordem monetária global e apoiar a internacionalização do yuan”, acrescentou.