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Líder do Kuomintang aproxima-se da posição de Trump sobre Taiwan. O que isso significa para o diálogo com Pequim

A líder do Kuomintang afirmou nos Estados Unidos que a paz no Estreito de Taiwan exige rejeitar uma secessão permanente da ilha. As declarações surgem num momento em que o partido promove contactos com Pequim e Taipé denuncia uma escalada das ações chinesas na região

Lusa

A líder do partido taiwanês Kuomintang (oposição) defendeu nos Estados Unidos que a paz na ilha de Taiwan, reivindicada pela China, só é possível se for descartada uma secessão permanente, assinalando proximidade com o executivo de Donald Trump.

“Penso que as nossas posições básicas são as mesmas: paz e estabilidade no Estreito de Taiwan e evitar qualquer guerra desnecessária”, disse Cheng Li-wun a propósito da linha do executivo Trump, após uma visita de três dias a Washington, onde se reuniu com congressistas e académicos norte-americanos.

Trump declarou, após a sua visita a Pequim em maio, não estar a “procurar a independência de ninguém” nem uma guerra a milhares de quilómetros de distância.

Cheng, que se encontrou em Pequim em abril com o líder chinês, Xi Jinping, e cujo partido concorda que ambos os lados do estreito pertencem à mesma nação chinesa, afirmou também ter-se reunido com representantes da administração Trump, mas não adiantou mais pormenores.

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A visita, parte da sua viagem de duas semanas a Washington para promover a abordagem do seu partido em relação ao Estreito de Taiwan, ocorre num momento de crescente incerteza nas relações entre os Estados Unidos e Taiwan.

Após o encontro com o homólogo chinês, Trump indicou que ainda poderá conversar com Lai Ching-te, mesmo depois de a China o ter incitado publicamente a não o fazer. Xi Jinping alertou para um possível conflito caso Washington não trate adequadamente a questão de Taiwan.

O Congresso prometeu reforçar o armamento de Taiwan, dando aprovação preliminar a um pacote de venda de armas de 14 mil milhões de dólares (12,06 mil milhões de euros), mas o governo Trump ainda não o aprovou. Cheng tem promovido o diálogo com Pequim como necessário para a paz, a estabilidade e a prosperidade na região.

“Iniciar o diálogo entre os dois lados do Estreito com Xi Jinping não significa que vamos abdicar da nossa capacidade de dissuasão em Taiwan e, claro, não significa que vamos fazer concessões ou abdicar da nossa democracia e liberdade”, disse Cheng, rejeitando acusações de que estaria a fazer o jogo de Pequim.

Questionada sobre o seu encontro com Xi, Cheng descreveu o líder chinês como “muito gentil, muito simpático e muito sincero” e disse acreditar que Xi queria abordar a questão de Taiwan “por meios pacíficos e evitar a guerra”.

Mas as autoridades de Taipé têm criticado o comportamento cada vez mais belicoso de Pequim no Estreito de Taiwan, incluindo operações militares regulares em torno da ilha nos últimos anos.

O departamento de negócios estrangeiros de Taipé condenou a “intrusão sem precedentes” de navios chineses nas águas da ilha Taiping, ocorrida na quinta-feira, que disse ser uma “provocação aberta” contra a ordem internacional.

As “ações irracionais” das autoridades chinesas infringem os direitos e interesses da ilha, minam a paz e a estabilidade regionais e violam o Direito internacional, afirmou Taipé.

O mesmo organismo acrescentou que esta ação se somou ao “assédio” anterior por navios oficiais chineses a navios de carga que navegavam livremente nas águas a leste de Taiwan, o que, na sua opinião, “marca uma nova e maliciosa escalada das operações na ‘zona cinzenta'”.

A China deu por concluídas na quarta-feira as manobras marítimas e de reconhecimento realizadas durante cinco dias a leste de Taiwan, uma operação que as autoridades chinesas descreveram como uma resposta às conversações iniciadas pelo Japão e pelas Filipinas para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas naquela área.

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