O relatório, divulgado este fim de semana pelo China Finance 40 Forum (CF40), surge numa altura em que a União Europeia e os Estados Unidos têm justificado tarifas, investigações e outras restrições comerciais, com o argumento de que as empresas chinesas beneficiam de apoios públicos que distorcem a concorrência.
Os autores, Zhu He e Guo Kai, analisaram dados de mais de 5.300 empresas chinesas cotadas entre 2018 e 2025 e concluíram que as indústrias da chamada “nova economia”, incluindo veículos elétricos, baterias, painéis solares e semicondutores, apresentam níveis de endividamento inferiores aos dos setores tradicionais da economia chinesa.
Os investigadores argumentam que a visão de uma economia chinesa impulsionada por subsídios “já não corresponde à realidade” e classificam como “ultrapassada” a narrativa segundo a qual o sucesso dos setores tecnológicos chineses assenta principalmente em apoios estatais.
Segundo o relatório, “a maioria dos novos empréstimos [da banca estatal] continuou a fluir para a velha economia”, incluindo construção, infraestruturas, transportes e serviços públicos, contrariando a ideia de que os setores emergentes dependem sobretudo de crédito favorecido.
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Os autores sustentam ainda que “as empresas da nova economia dependem mais de capitais próprios e de lucros retidos” do que de financiamento bancário, argumentando que o crescimento destes setores resulta da inovação, da competitividade e da capacidade de atrair investimento privado.
O estudo conclui que “cerca de dois terços dos subsídios governamentais” foram destinados a setores tradicionais e não às indústrias da nova economia, frequentemente apontadas por governos ocidentais como beneficiárias de apoio estatal excessivo.
Segundo os autores, o peso dos subsídios governamentais nas receitas das empresas tecnológicas tem diminuído nos últimos anos.
O relatório indica que os subsídios recebidos pela fabricante de veículos elétricos BYD representavam cerca de 0.3% das receitas em 2025, abaixo dos 1.6% registados em 2018.
Os autores reconhecem que empresas como a fabricante de ‘chips’ SMIC beneficiaram de apoio estatal numa fase inicial de desenvolvimento, mas defendem que essa dependência diminuiu à medida que ganharam escala e rentabilidade.
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O estudo surge na sequência da publicação pela OCDE de uma nova base de dados sobre subsídios industriais, e num contexto de crescente tensão comercial entre a China e as economias ocidentais.
Bruxelas tem argumentado que o apoio estatal chinês contribui para o excesso de capacidade industrial em setores como os veículos elétricos, baterias e painéis solares, enquanto Washington tem adotado medidas semelhantes para limitar a entrada de produtos chineses e restringir o acesso da China a tecnologias avançadas.
“A narrativa centrada nos subsídios para explicar a ascensão industrial da China é cada vez menos compatível com os dados”, concluem os autores, numa crítica direta às análises que atribuem a competitividade das empresas chinesas sobretudo ao apoio estatal.
O CF40 é um dos mais influentes institutos de análise económica da China, reunindo antigos responsáveis governamentais, reguladores financeiros e académicos.