Estar vivo é mesmo o contrário de estar morto - Plataforma Media

Estar vivo é mesmo o contrário de estar morto

Convenhamos, o isolamento social é uma sentença de prisão domiciliária. Contra natura. Sei que para alguns está a ser maravilhoso porque já gostavam de estar em casa mas a verdade é que agora não é uma opção. É o único remédio contra o vírus (até descobrirem a vacina), a diferença entre a vida e a morte.

Como o ser humano é gregário, estar vivo significa estabelecer laços com os outros, sentir o pulsar da rua, dos outros seres fora de nós.

As pequenas liberdades que agora usufruimos neste período de gradual desconfinamento – que palavra fabril, senhores – parecem-nos agora grandes conquistas. E o mundo está tão diferente desde a última vez que o vimos.

Esta semana tive quatro episódios de “desconfinar”. No primeiro, fui à esteticista. Recebeu-me de máscara e eu, também de máscara, cumprimentei-a à japonesa, com um leve aceno de cabeça. Tive de colocar os meus pertences na “zona vermelha” (demarcada com uma linha encarnada, muito sci-fi ) e desinfetar as mãos.

Saí dali a sentir que fora livre, que fizera uma atividade para além do exercício físico em casa, das caminhadas, dos cozinhados e limpezas do apartamento que, de tão mimado, já parece uma criatura orgânica.

Seguiram-se dois jantares com amigos (éramos apenas quatro à mesa em cada repasto) em casa e os rituais do “novo normal”. Uns chegaram de máscara, depois tiraram, chegaram de sapatos, depois tiraram, chegaram de mãos lavadas, voltaram a lavar. A mesa foi aberta para permitir a distância de dois metros entre cada um, de forma que onde cabiam dez estavam apenas quatro (prémio da DGS aqui para a mesa do canto se faz favor).

Esses dois convívios sanitários foram o melhor da semana.

Finalmente, a cereja no topo do bolo, uma ida ao dentista. Uau, conta-me como foi… Está bem, eu conto. Entrar de máscara, desinfetar as mãos e ir para a sala de espera. Se pensavam ir a correr até às revistas datadas para olhar para os “bonecos” e rir da coscuvilhice esqueçam. Já não há revistas em lado nenhum porque não é suposto fazermos sala.

Ainda assim, isto de estar vivo é mesmo o contrário de estar morto. Acreditem.

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