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A SEGUNDA TRAGÉDIA DO CORONAVÍRUS

A epidemia do coronavírus é uma espécie de revelador da fotografia de doenças da sociedade do nosso tempo, dos males que afetam a forma como os homens e as mulheres do século XXI se relacionam e reagem coletivamente aos eventos do planeta. A primeira doença social que podemos detetar através do coronavírus é o estado de medo permanente em que vivemos. Com a capacidade que nas sociedades desenvolvidas temos de aceder a informação instantânea, seja na rádio, na TV ou na Internet, e com a repetição exaustiva e simultânea que todos os órgãos de comunicação social fazem dos mesmos assuntos que, por sua vez, são comentados e distribuídos em massa pelas pessoas que usam as redes sociais, somos permanentemente conduzidos a temer um cataclismo mundial. Se a Coreia do Norte testa um míssil, ficamos com medo que venha aí a guerra nuclear; se às praias do sul da Europa chegam uns milhares de refugiados muçulmanos, ficamos com medo do fim da civilização cristã; se Donald Trump ameaça fazer guerra económica à China, ficamos com medo do colapso da economia mundial; se o número de incêndios e a sua dimensão cresce por causa das alterações climáticas, tememos que o fim do mundo esteja já aí à porta. O medo do coronavírus é, no seu mecanismo de expansão do pânico global, um fenómeno semelhante a muitos outros que hoje em dia fazem parte do nosso dia-a-dia e cujos efeitos me parecem ser muito perigosos. Num extremo este medo pode provocar reações coletivas irracionais, histéricas e, até, violentas como as notícias sobre a revolta nas prisões em Itália exemplificam.

Pedro Tadeu 13.03.2020

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