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Cidade reerguida

O teste era de uma dimensão assustadora. O super tufão Mangkhut trouxe consigo uma intensidade que fazia temer o pior. A memória trágica do Hato estava muito fresca e havia uma consciência entre a população e autoridades que desta vez não havia margem para falhar mesmo tendo em mente que estávamos à mercê de um fenómeno natural com uma grande dose de imprevisibilidade e aleatoriedade.Após aquelas horas que pareceram intermináveis, o que sobressai é uma sensação de alívio e de confiança no trabalho desenvolvido pelas autoridades, nomeadamente pela Proteção Civil, e uma maior sensibilização da sociedade para que fenómenos naturais desta dimensão sejam levados a sério.

Ao longo dos últimos meses foram dados passos para corrigir erros que tinham ficado à vista de todos na tempestade de 23 de Agosto de 2017. Desde logo, contrariamente ao Hato que acabou por ganhar uma inesperada intensidade quando se aproximou de Macau, o Mangkhut era anunciado como uma severa ameaça várias dias antes de chegar à região. Isto, naturalmente, permitiu um melhor acompanhamento e uma melhor preparação. Por outro lado, o reforço da cooperação inter-regional com as autoridades de Hong Kong e da China continental trouxe bons frutos. Internamente, notou-se um nível elevado de coordenação e liderança que foram traduzidos no encerramento de todos os casinos – pela primeira vez – numa decisão que, face ao que sucedeu ao longo de domingo, se verificou ser adequada e proporcional.
Muito importante foi também o reforço da proteção das infraestruturas críticas que falharam no ano passado – abastecimento de água e eletricidade – e o corte estratégico temporário de energia nas zonas mais seriamente afetadas por inundações.
Todavia, como aliás é reconhecido pelo Chefe do Executivo e pelo Secretário para a Segurança, o sistema carece de várias melhorias. As fragilidades em infraestruturas básicas mantêm-se, houve algumas deficiências na execução do plano de evacuação das zonas baixas e há que apostar mais na informação e coordenação com os trabalhadores migrantes que não dominam nem o chinês nem o português. Há agora que manter o foco e não baixar a guarda.
A cidade reergue-se mais forte, qual bambu que dobra, mas não quebra.

José Carlos Matias 21.09.2018

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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