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Itália e China sabem inovar, criar, surpreender

Em 2017, a itália consolidou o caminho em direção à total recuperação económica, com um crescimento positivo, não só em termos de emprego, como também em termos de exportação e quota de comércio global.

A Itália, tal como a China, tem lucrado muito com a recente internacionalização: ambos os países partilham a mesma ideia de que a única forma de beneficiar, completamente, desta globalização, reduzindo ao mesmo tempo as chances de qualquer efeito secundário, é o diálogo, a discussão e a compreensão mútua. Estes três pontos são as ferramentas mais úteis que a comunidade internacional pode utilizar.

Esta parceria estratégica entre a Itália e a China, que tem sido desenvolvida e alargada recentemente, pode ser vista como um bom exemplo do valor destas três ferramentas. Nos últimos anos os laços políticos e económicos entre a Itália e a China têm experienciado uma nova dinâmica. Têm-se sucedido uma série de visitas oficiais, que refletem a vontade cada vez maior de promover esta parceria estratégica bilateral. Em todas as ocasiões, os dois países têm assinado acordos bilaterais importantes em áreas como saúde, ciência, tecnologia, exploração espacial e segurança alimentar.

Esta parceria tem um potencial maior do que podemos imaginar. A Itália e a China são os dois países com maior número de locais na lista de Património Mundial da Unesco. E, de facto, o primeiro programa de geminação de cidades entre os dois países aconteceu a janeiro deste ano entre Verona e Hangzhou.

Porém, a cooperação não está limitada à celebração do passado e da beleza. Somos também capazes de adotar uma visão a longo prazo e reunir conhecimento científico inovador.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, os líderes dos dois países juntaram-se para celebrar o lançamento do “Satélite Seismo-Eletromagnético Chinês”, um projeto conjunto sem precedentes, que procura estudar áreas predispostas a terramotos a partir do espaço.

A Itália pode também ajudar a China a atingir o objetivo definido pelo presidente Xi Jinping de desenvolver uma “China Deslumbrante”, constituída por uma urbanização sustentável, serviços de saúde, tecnologia ecológica, energia verde e design inteligente, sendo todas elas áreas em que a Itália se destaca.

É um talento inspirado pela História de Itália, especialmente a época do Renascimento, e que está de acordo com os objetivos da liderança chinesa. À medida que a China procura um desenvolvimento com qualidade e abre ainda mais a economia ao mundo exterior, os níveis de exportação italiana para a China em todos estes setores têm vindo a crescer, substancialmente todos os meses. Em 2017, as exportações para a China aumentaram em quase 22 por cento e o balanço comercial total cresceu em 14,6 por cento. Esta tendência reflete a ideia de uma cooperação de benefício mútuo que está no centro da visão “Rumo aos 50” que irá ter lugar em 2020, o último ano do 13º Plano Quinquenal chinês (2016-20), tal como ano que marca o 50º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países.

Uma consequência natural desta base sólida das relações sino-italianas é o aumento gradual de contactos interpessoais, como cooperações turísticas e culturais. Os consulados italianos na China estão agora a assistir a um aumento dos pedidos de vistos de turismo e negócio: durante os primeiros cinco meses deste ano o número de vistos emitidos aumentou em 25 por cento em comparação com o ano de 2017. Forças policiais italianas e chinesas estão também, conjuntamente, a vigiar um número crescente de locais nos dois países, mostrando que existe confiança mútua, e fornecendo aos turistas de cada país segurança adicional.

Também as nossas universidades estão a lançar projetos de cooperação para investigação conjunta e intercâmbios académicos. Empreendedores dos dois países estão a trabalhar em conjunto para o “Fórum Empresarial” bilateral, que irá daqui a alguns dias viajar para Dalian, na província de Liaoning, e Qingdao, na província de Shangdong. Com as nossas empresas, os nossos portos e os nossos centros de logística prontos a cooperar para benefício mútuo, estamos a olhar com grande interesse para a Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. É um passo que faz todo o sentido, visto a Itália ser o destino histórico da antiga Rota da Seda e, claramente, um centro natural para esta nova Rota da Seda.

Tal parceria tem de ser protegida e cultivada regularmente. Nada se constrói da noite para o dia. Nada disto seria possível sem os laços de longa data entre os dois países, baseados em respeito mútuo, cooperação e busca pela excelência. Estas são as características que ambas as nações partilham, combinando a riqueza das suas civilizações ancestrais com a capacidade para inovar, criar e surpreender.

Ettore Francesco Sequi*  15.06.2018

* Embaixador da Itália na china

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