A influência chinesa no encontro histórico entre os EUA e a Coreia do Norte - Plataforma Media

A influência chinesa no encontro histórico entre os EUA e a Coreia do Norte

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, aterrou na tarde de dia 10 no aeroporto de Changi em Singapura. No entanto, o aspeto que recebeu mais atenção neste acontecimento foi o voo de uma companhia aérea chinesa que transportou Kim Jong-un. Segundo o que foi noticiado, o voo número CA112 da Air China saiu de Pequim ainda de madrugada e aterrou em Pyeongyang, para logo de seguida partir outra vez para a capital chinesa. Porém, antes de chegar a Pequim, este mudou de número para CA61 e voou em direção a Singapura. De forma a garantir total segurança, o avião passou grande parte da viagem em espaço aéreo chinês e numa parte do espaço aéreo do Mar do Sul da China controlado pela China. O avião privado de Kim Jong-un, “Chammae-1”, originalmente noticiado como aquele que transportaria o líder norte-coreano, voou como planeado em direção a Singapura como mecanismo de distração, fazendo ainda uma curta paragem em Cantão antes do destino final. O facto de a Coreia do Norte ter pedido um avião à China para voar para Singapura surpreendeu o mundo. No entanto é importante notar que tal
ação apenas vai ao encontro daquilo que Kim Jong-un tem vindo a afirmar: A Coreia do Norte tem mantido a China a par de todas as alterações e acontecimentos na península coreana, recebendo em troca apoio e ajuda chinesa, mostrando que o país está a ter uma grande influência na questão coreana.

Ao contrário do presidente sulcoreano, Moon Jaein, que assume um papel de mensageiro da paz, a China assume uma função maioritariamente de “bastidores”. Os assuntos a serem abordados já foram discutidos. A China não se deve envolver, diretamente na questão coreana, todavia, de um ponto de vista económico, caso a Coreia do Norte elimine por completo as armas nucleares, a China poderá oferecer uma larga ajuda económica como acordado. Trump já havia afirmado na semana passada que qualquer ajuda financeira à Coreia do Norte deverá vir apenas da Coreia do Sul, Japão e China, e que os EUA, devido a uma maior distância geográfica, não se deveriam envolver. Trump continua assim a seguir políticas que colocam sempre os EUA em primeiro lugar, procurando benefícios, mas recusando acarretar qualquer custo, mostrando que o mesmo está disposto a voltar com a palavra atrás, pois, há uns tempos, o mesmo prometeu ajudar a enriquecer a Coreia do Norte caso o país abandonasse as armas nucleares. Em negociações futuras, a Coreia do Sul irá estar envolvida, e esta irá com certeza estar disposta a assumir este peso, pois para o país é apenas um pequeno preço a pagar pela tão desejada paz. Porém, a China, ao contrário dos EUA, não irá abdicar das promessas. Ela irá sim, continuar a assumir o papel de “bastidores”, salvaguardando os seus interesses a nível nacional e, ao mesmo tempo, evitando “pagar a conta” dos EUA.

Na opinião de alguns, se a China não se envolvesse nestes diálogos, sofreria a traição da Coreia do Norte. Mas por que razão faria a Coreia uma coisa dessas? Como poderia a Coreia do Norte beneficiar de tal ação? O emprestar de aviões e forças militares para que Kim Jong-un conseguisse chegar em segurança a Singapura apenas refletem o ambiente pacífico que a China sempre promoveu no Nordeste asiático. Mal a situação na Coreia do Norte se normalize, a China poderá negociar com o país normalmente, sem necessidade de se preocupar com outros problemas.

DAVID CHAN  15.06.2018

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