A crise na península coreana contribui para o Japão se tornar numa grande potência militar - Plataforma Media

A crise na península coreana contribui para o Japão se tornar numa grande potência militar

Discursando no parlamento, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, demonstrou desejos de reforçar as defesas da nação face às ameaças de ataques de mísseis norte-coreanos. 

A crise existente na península coreana tem servido de desculpa para uma expansão militar por parte do Japão. Sob pretexto de autodefesa, Abe apresentou a implementação de um sistema ofensivo antimíssil e do uso dos mais fortes aviões de guerra americanos, abalando a estabilidade do continente asiático. Sempre muito ambicioso, o primeiro-ministro adquiriu recentemente veículos de guerra como o americano Boeing EA-18G Growler, e está a planear acrescentá-lo a bordo do JDS Izumo. O Boeing EA-18 é uma variante do avião de guerra F-18, pode transportar misseis antirradiação e servir funções de combate. Fora o Growler, o Japão ainda apresentou dois conjuntos de um sistema antimíssil terrestre. Este sistema consegue atingir alvos a mais de 4000 quilómetros de distância, um alcance ainda mais longo do que o do sistema THAAD. Os dois conjuntos deste sistema conseguem abranger todo o território japonês. A Coreia do Norte está a menos de 1000 quilómetros de distância de Tóquio, e sendo assim, o verdadeiro alvo com a implementação deste sistema é a China. Quanto mais intensa se torna a situação na península coreana, maior é a ambição de Abe, e a implementação deste sistema já faz avançar o objetivo de o país se tornar numa grande potência militar. É fácil de prever que Abe continuará a seguir este caminho. De momento, o primeiro-ministro está a aproveitar-se da situação coreana para, gradualmente expandir o seu armamento. A razão é muito simples, e até aparenta ser lógica e correta. A Coreia do Norte está a levar a cabo vários testes de misseis, e o Japão necessita de fortificar o seu sistema militar antimíssil. Uma vez que a Coreia do Sul já possui o sistema THAAD, o Japão não o irá implementar. Além disso, o sistema antimíssil terrestre adapta-se melhor ao objetivo japonês de se tornar uma potência militar. Este garante uma melhor defesa, com um alcance de 4000 quilómetros, enquanto o sistema THAAD tem como alcance máximo 2000 quilómetros. É bastante claro que a implementação deste sistema por parte do Japão não tem só como alvo a Coreia do Norte, tem sim como objetivo defender-se de mísseis chineses da costa oeste da península coreana. 

No que diz respeito ao Boeing EA-18G Growler, este é o único avião de guerra que, tecnicamente consegue superar o Lockheed Martin F-22, devido à sua capacidade e potência. Numa guerra atual, os mísseis não são apenas lançados, mas também controlados, monitorizados e conduzidos de forma eletrónica. Os aviões de guerra eletrónicos fazem com que outros aviões não os detetem, não os vejam, não os ouçam, e que todas as suas armas sejam inúteis. E, entre tudo isto, o Growler consegue ainda atacar. O Japão faz também intenções de implementar o Growler no JDS Izumo ou na ilha de Kyushu. A ambição do Japão é assim muito clara. Utilizando como desculpa a atual situação coreana, tenciona implementar armas como o avião de guerra Growler, o sistema antimíssil terrestre e um míssil de cruzeiro com 900 quilómetros de alcance. O objetivo é realizar o desejo de se tornar numa grande potência militar, tendo como objetivo secundário colocar pressão militar sobre a China. Por isso, face às ambições japonesas, é necessário aumentar o resguardo. 

DAVID Chan  26.01.2018

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter