A minha velha escola - Plataforma Media

A minha velha escola

Todos os anos, setembro é o mês em que numerosos estudantes deixam para trás o ócio das longas férias de verão, põem a mochila às costas, e regressam à escola para mais um ano de estudos. Embora este novo ano escolar surja no seguimento do devastador tufão Hato, com os trabalhos de recuperação ainda em curso, é possível avistar os jovens estudantes com boa disposição, enfrentando a chuva enquanto esperam pelo seu autocarro na paragem, enquanto outros, acompanhados pelos pais, vão a passo apressado de guarda-chuva na mão em direção à escola. É uma cena verdadeiramente comovente. Novo ano escolar, novo começo, novos conhecimentos para explorar, estudar e experienciar. Depois de um tufão, não vão ser as chuvas ou os constrangimentos no trânsito que vão impedir os alunos de iniciarem este novo período.

Já se passaram 55 anos desde que ingressei na minha velha escola, mas tudo naquela instituição, incluindo os professores que me ensinaram, está ainda bem vivo na minha memória. É uma das escolas com mais história em Macau, com mais de cem anos, fazendo este ano 107. Trata-se da Escola Secundária Confucionista. Embora ela se tenha em 1975 fundido com a Escola Primária Folhas de Prata, tornando-se na atual Escola Kao Yip, para mim continua a ser a Escola Secundária Confucionista, a escola que me viu crescer.

A Escola Secundária Confucionista foi criada pela Associação Confucionista de Macau com o intuito de promover a filosofia de Confúcio. Na verdade, o Confucionismo não é uma religião, mas sim uma filosofia. A partir do hino da Escola Secundária Confucionista é possível perceber ainda mais claramente a ideologia da associação: “Uma educação confucionista, humana e académica, com base no sentido de integridade, justiça e honra, implementando os cinco ensinos de forma imparcial; monte verdejante, mar cristalino, uma canção alegre, cultivando o caráter, para reger a família e governar o Estado, perseguindo a perfeição, fazendo o mundo crescer, preservando o Confucionismo para a posteridade”. Era este o hino da Escola Secundária Confucionista e também o objetivo da Associação Confucionista de Macau: perseguir a perfeição.

Na altura, a escola situava-se na Calçada do Monte. À esquerda dos seus degraus de pedra havia uma grande acácia-rubra, e nas duas paredes laterais estavam escritos oito caracteres indicando a lealdade e piedade filial e os quatro laços sociais. Este era também o lema da escola que os alunos tinham de aplicar. Dentro da escola, do lado direito, havia um jardim com uma notável árvore wutong em simbiose com um bambu verde, um ponto emblemático da escola. No hall de entrada havia um conjunto de sinos antigos que serviam de emblema da escola. Segundo consta, foram roubados nos anos 1990 e não voltaram a aparecer. É uma pena que este símbolo da instituição se tenha perdido.

O tempo que passei na Escola Secundária Confucionista não foi muito longo, mas os seus professores permanecem profundamente gravados na minha memória, ainda que se tenham passado mais de 50 anos. Havia o diretor do ensino secundário, Lao Kuok In, o diretor dos assuntos do quotidiano, Hoi Si Kan, o diretor dos assuntos financeiros, Li XinZhai, que atrás da sua cadeira tinha um quadro que havia pintado da árvore wutong e do bambu. Havia ainda Lam Chan Man, que permaneceu na escola durante várias décadas, e apenas há alguns anos se reformou devido à idade avançada. Manteve-se durante toda a vida leal ao ensino e à Escola Secundária Confucionista, conquistando a elevada estima dos alunos. Loi Peng Keong, diretor do departamento de educação física, para além de ser responsável pelas aulas de educação física, também organizava as aulas de música, e nos anos quarenta ou cinquenta, quando a escola tinha escoteirismo, ele era também o instrutor dos escoteiros, sendo um professor de bom nível intelectual e físico. Uma vez que este ano marca os 50 anos desde a conclusão dos 5 anos de estudo dos alunos do meu tempo da Escola Secundária Confucionista, assim como os 24 anos da fundação da Escola Kao Yip, vale a pena recordar. 

DAVID Chan 

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