Quererá Kim Jong-un escapar ao fogo e à fúria?

por Arsenio Reis

Este mês, o Presidente norte-americano Donald Trump afirmou num discurso que se a Coreia do Norte voltar a efetuar lançamentos de mísseis ameaçando os Estados Unidos, o país terá de enfrentar fogo e fúria como o mundo jamais viu. As forças armadas da Coreia do Norte, por sua vez, responderam dizendo que irão efetuar o lançamento de quatro mísseis Hwasong-12 nas águas internacionais a 30 ou 40 quilómetros de Guam, reinflamando subitamente a situação na península coreana. 

Ainda assim, uma semana depois deste duelo verbal entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, a situação parece ter atenuado ligeiramente. Contudo, ambas as partes já definiram os seus planos e preparativos. 

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, advertiu que se a Coreia do Norte lançar mísseis sobre os Estados Unidos a situação poderá rapidamente atingir o nível de guerra, acrescentando que os Estados Unidos são capazes de detetar rapidamente o trajeto de um míssil norte-coreano, eliminando-o assim que seja considerado uma ameaça para o território norte-americano, incluindo Guam. 

Anteriormente, o secretário de Estado, Rex Tillerson, explicou que as palavras de Trump se devem ao facto de Kim Jong-un talvez não entender bem a linguagem diplomática, sendo por isso necessário clarificar a sua intenção. 

Posteriormente, Joseph Dunford, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, realizou uma visita oficial à Coreia do Sul, China e Japão, com o intuito de preparar um plano de resposta na eventualidade da Coreia do Norte lançar mísseis sobre Guam. 

Contudo, as informações transmitidas por Rex Tillerson, James Mattis e Joseph Dunford, os quais ocupam cargos elevados na Casa Branca, possuem divergências em relação às estratégias referidas por Trump. Trump fala da eventualidade da Coreia do Norte voltar a efetuar lançamentos de mísseis e os Estados Unidos se encontrarem sob ameaça (‘under threat’), enquanto Rex Tillerson e os outros dois membros do Governo falam da eventualidade dos Estados Unidos se encontrem sob ataque (‘under attack’). 

Apesar das disparidades entre as palavras de Trump e as dos três altos membros do Governo, os Estados Unidos tencionam responder caso a Coreia do Norte realmente lance mísseis sobre Guam, e para esse efeito efetuaram três procedimentos. Primeiramente, Rex Tillerson clarificou algumas dúvidas a nível nacional e internacional causadas pelo agravamento de tensões fruto deste duelo verbal. Joseph Dunford visitou a Coreia do Sul, a China e o Japão, entre outros aliados próximos, para explicar a posição dos Estados Unidos. Finalmente, James Mattis efetuou preparativos para a eventualidade de ser desencadeada uma guerra, incluindo a reafirmação da promessa de defesa do Japão durante o Comité Consultivo de Segurança 2+2 com o país, a instalação de sistemas de mísseis Patriot em quatro prefeituras japonesas, e também a realização de exercícios militares conjuntos Ulchi-Freedom Guardian com a Coreia do Sul e a mobilização de tropas para a península para a eventualidade de um conflito.

Perante todas estas ações norte-americanas, Kim Jong-un, depois de uma visita ao quartel-general para averiguar o plano de lançamento de mísseis, afirmou que irá observar a conduta dos Estados Unidos. Se o país continuar a agir irrefletidamente na região da península coreana, será tomada uma decisão estratégica importante. Kim Jong-un pediu também que as forças estratégicas continuem a aguardar ordens, de forma a poderem em qualquer altura entrar em estado de guerra. 

Ainda assim, Kim Jong-un ainda não deu ordem para avançar com o plano de lançamento de mísseis, o que leva a crer que, com a intimidação dos Estados Unidos e as fortes advertências da China e da Rússia, este quer agora evitar o calor do fogo e da fúria.

David Chan

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