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Transgressões da Índia prejudicam a Faixa e Rota da China

O exército da Índia transgrediu a fronteira sino-indiana e agrupou-se em território chinês, impedindo a construção de uma estrada entre o Tibete e a região em causa por parte da China. O conflito entre os dois já dura há mais de um mês, tendo já ocorrido várias instâncias de contacto entre as duas partes. A Índia enviou um grande número de tropas de apoio, colocando-as a 10 quilómetros da zona da disputa, e a China também reforçou as suas tropas de defesa fronteiriça no local.

O local do confronto é a secção Siquim da região Donglang na fronteira entre a China e a Índia, uma zona livre de questões de legitimidade territorial. O incidente sucede devido ao projeto de construção de uma estrada no local por parte da China, a qual está projetada estender-se a sul até ao Bangladesh. O projeto proporcionará à Região Autónoma do Tibete e à grande região ocidental da China uma via de contacto com o mar, o que para além de desenvolver as economias próximas também está de acordo com os planos de desenvolvimento conjunto da Nova Rota da Seda Marítima da Iniciativa Faixa e Rota. Além do mais, este projeto já tem vindo a ser discutido publicamente há muito tempo pela China.

Como é possível imaginar, se o projeto puder ser concluído, trará naturalmente benefícios para a grande região do oeste da China, incluindo o Tibete. Contudo, não será também uma ótima oportunidade de expandir horizontes e acelerar o desenvolvimento económico no nordeste da Índia e na vasta região da Ásia Central, a qual tem vindo a ser considerada uma zona inativa nos últimos séculos? Ainda assim, a Índia pensa de forma diferente, e nas últimas décadas tem vindo a achar-se o “grande chefe” do sul da Ásia. Este ‘bully’ da Ásia do Sul tem vindo a atemorizar os pequenos países vizinhos desde que adquiriu a independência do Reino Unido, incluindo o Butão, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e até mesmo Maldivas. A Índia anexou o Siquim, que sendo um país pequeno situado na base dos planaltos dos Himalaias não pôde fazer face à Índia de forma frontal, e deixou que a Índia fizesse o que entendesse. O Nepal, devido a ter tido nos últimos um maior contacto com a China, foi alvo de duas sanções económicas da Índia por não atender às suas “exigências”. Embora o Paquistão tenha alguma coragem e poder para resistir, os restantes países pequenos são todos vistos como propriedade exclusiva da Índia, e mais ninguém pode tirar uma fatia desse bolo. Com a ascensão chinesa nos últimos anos, a Índia tem estado a arder de raiva e por isso esteve ausente durante as recentes reuniões da Faixa e Rota. Naturalmente, a atual construção de uma estrada por parte da China e os planos de extensão a sul até ao Bangladesh levaram o país a tentar impedir o projeto. Isto porque a Índia teme que o Butão se aproxime da China tal como aconteceu com o Nepal, fazendo desaparecer o seu poder e influência no sul da Ásia. Sendo assim, o país decidiu defender a soberania do Butão, apregoando que “não irá abandonar a aliança com o Butão” e enviando tropas para lá da fronteira para impedir as construções chinesas, e isto sem qualquer conhecimento por parte do Butão.

Embora a Índia esteja ciente dos benefícios económicos da iniciativa Faixa e Rota para os países envolvidos, acredito que continue as suas obstruções devido à sua estratégia política e perspetiva fechada. Contudo, a Faixa e Rota já recebeu a aprovação e apoio da comunidade internacional, e a Índia não faz mais nada senão cuspir contra o vento, ficando de fora da iniciativa e fazendo de si um país pequeno e alienado. 

DAVID Chan

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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