Bilinguismo é a chave para Macau

por Arsenio Reis

A grande vantagem de Macau na intermediação entre e a China e os países de língua portuguesa passa pelos recursos humanos.

Macau tem sobretudo vantagens no campo dos recursos humanos além de uma ligação tradicional aos países de língua portuguesa, que favorecem este papel de ponte, referiu o secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre  China e Países de Língua Portuguesa, Ding Tian, no debate intitulado “Plataforma – Criação de Redes”, organizado por este jornal. 

O evento decorreu na Fundação Rui Cunha, na semana passada, por ocasião da celebração do terceiro aniversário do semanário PLATAFORMA, e contou também com o advogado Pedro Cortés e com o presidente da comissão executiva do BNU Macau, Pedro Cardoso, como oradores, numa mesa-redonda moderada pelo diretor da publicação portuguesa Jornal de Notícias, Afonso Camões.

Desde 2003, o volume total de comércio entre a China e os países de língua portuguesa “cresceu sete vezes”, alcançando, no ano passado, “quase 100 mil milhões de dólares norte-americanos”, disse Ding Tian.

O secretário-adjunto realçou ainda que o investimento do gigante asiático nos territórios de expressão lusófona crescia em 2016 mais de 60 por cento em comparação com 2013. Além disso, se na primeira conferência ministerial do Fórum Macau, em 2003, foram definidas sete áreas de colaboração, na última reunião do ano passado, essas ascenderam a mais de 20, “incluindo recursos humanos, colaborações governamentais e cultura”. 

Sobre se Macau tem “importância” nestes números, o dirigente referiu que as vantagens do território passam “pelos recursos humanos e uma ligação tradicional aos países de língua portuguesa”. Aliás, o secretário-geral adjunto refere que Macau “tem muitos jovens, pessoas bilingues, trilingues”, devendo, por isso, “prestar mais atenção aos recursos”. 

Uma plataforma de serviços

Para o escritório de advogados Rato, Ling, Lei & Cortés, o bilinguismo é também a chave na sua área de trabalho. É por isso que o escritório procura recrutar licenciados em Direito  bilingues, permitindo que cheguem “da melhor forma” aos respetivos clientes, diz Pedro Cortés. Aliás, “80 por cento [da equipa] fala duas línguas (inglês e português ou chinês e português)”.

Neste momento, procurando beneficiar deste possível papel de plataforma, o escritório procura “clientes que vêm de Portugal ou dos países lusófonos”, incentivando empresários a que “utilizem Macau” para instalarem as suas sociedades holding, alegando “benefícios”. E abriu um espaço na Ilha da Montanha, associando-se a “um escritório da República Popular da China com dois mil advogados”, e permitindo “chegar a mercados” nunca dantes pensados.

E como se concretiza esta plataforma para o BNU Macau?  Pedro Cardoso refere a capacidade de interlocução, nos investimentos que se fazem, em particular por empresas chinesas nos países de expressão portuguesa. O presidente da comissão executiva do BNU Macau recordou que a instituição abriu um janeiro uma agência do outro lado da fronteira de Macau, na ilha da Montanha, de forma a contornar “as barreiras à circulação de capitais da China [continental] para Macau”, garantindo “apoio direto a essas empresas [chinesas] nesse processo de internacionalização”. 

Pedro Cardoso referiu ainda o papel nas trocas comerciais, cabendo ao BNU Macau apoiar as empresas em Portugal que, por exemplo, exportam para a China. Finalmente, destacou ainda o papel do banco no processo de “internacionalização do renminbi”, de forma a “apoiar a sua disseminação às trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa”. 

Luciana Leitão

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