Num relatório divulgado no dia 28, a Moody’s Investors Service disse que “o perfil de crescimento de Macau poderá beneficiar de um progresso mais rápido no sentido da diversificação económica do que o atualmente previsto”.
Há décadas que a região chinesa, capital mundial do jogo, tem tentado diminuir a dependência dos casinos, apostando, entre outros setores, nos serviços financeiros entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
O benefício económico do Jogo representou quase metade de todo o Produto Interno Bruto de Macau em 2025. Se aos casinos se juntar o turismo, então este setor reúne 74.1% da economia local, de acordo com dados oficiais.
A Moody’s defendeu que a “elevada dependência de um único setor” gera “uma volatilidade significativa no crescimento”, até porque o negócio dos casinos pode “diminuir gradualmente em conjunto com um crescimento económico mais fraco na China continental a longo prazo”.
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A agência disse ainda que a diversificação da economia enfrenta obstáculos, incluindo a “escassez de mão de obra qualificada” e os desafios demográficos de Macau relacionados com o envelhecimento da população.
O desemprego fixou-se em 1.7% no final de fevereiro, enquanto a taxa de fecundidade voltou a cair no ano passado, para um novo mínimo histórico, depois da região chinesa ter registado em 2024 a taxa mais baixa do mundo.
A Moody’s manteve o ‘rating’ da região em ‘Aa3’, o quarto nível mais alto, e melhorou a perspetiva de ‘negativa’ para ‘estável’, sublinhou a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) num comunicado.
A Moody’s lembrou que Macau é a única jurisdição sem qualquer dívida externa e que contava, no final de janeiro, com uma reserva financeira no valor de 673,8 mil milhões de patacas (72,2 mil milhões de euros).
Além disso, a AMCM sublinhou “a estreita ligação económica” entre Macau e a China continental, onde “a robustez macroeconómica e a solidez das finanças públicas” têm demonstrado “elevada resiliência perante choques externos”.
No entanto, a Moody’s apontou como um risco para o ‘rating’ de Macau “uma intensificação dos laços políticos e institucionais” com a China continental.
Algo que “provavelmente reduziria a eficácia das políticas económicas ou fiscais em Macau, poderia também levar a uma descida da classificação” da região, explicou a agência.